Garibaldi manda apurar se grampos tiveram origem no Senado

Polícia vai investigar se conversas gravadas entre presidente do STF e Demóstenes partiram de telefone da Casa

Agência Brasil,

02 de setembro de 2008 | 15h01

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), determinou nesta terça-feira, 2, que a Polícia do Senado comece a investigar se há grampos telefônicos na Casa. Os agentes vão analisar se as conversas gravadas entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), partiram de algum telefone do Senado.  Veja Também:Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos  Grampo telefônico é inaceitável, diz assessor da PresidênciaGoverno nomeia substituto de Paulo Lacerda na direção da AbinSecretário é o novo responsável temporário pela AbinSupremo quer que Lula esclareça grampos da Abin, diz Mendes Reportagem da revista Veja acusa a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de grampear o presidente do STF, ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva, políticos do governo e da oposição, com base em informações de um servidor anônimo da agência. A publicação traz um diálogo entre Mendes e Demóstenes, em 15 de julho. Conforme a revista, os ministros de Relações Institucionais, José Múcio, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, também teriam sido grampeados. Por conta da reportagem de Veja, a agência abriu sindicância interna, o Ministério Público e a Polícia Federal apuram o caso.  A crise aberta com a denúncia de grampos em telefones de diversas autoridades causa tensão no Congresso. O general Jorge Armando Félix, que comanda o Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, será ouvido nesta terça pela CPI dos Grampos. Ele dará explicações sobre as denúncias dos grampos que teriam sido feitos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão subordinado ao GSI.  O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse esperar que o general explique porque o chefe da Abin, Paulo Lacerda, foi afastado na última segunda pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão vale até que o caso seja esclarecido. "O general é o chefe do chefe da Abin. Quero saber a razão do afastamento, de que forma o general foi informado dos procedimentos, se a Abin tem equipamentos para a realização de grampos", disse. "Quero saber se houve ordem para a colocação das interceptações telefônicas, a mando de quem, se a chefia tinha conhecimento e que medidas foram tomadas para coibir esses grampos", completou. O afastamento de Paulo Lacerda foi comentado por alguns parlamentares. O líder do PT, deputado Maurício Rands (PE), disse que a decisão tomada pelo presidente Lula foi acertada. "Ele agiu corretamente. Foi claro e rápido na sua decisão de dizer que não concorda com qualquer excesso", disse. O vice-líder do DEM, José Carlos Aleluia (BA), defendeu o afastamento, inclusive, do general Félix. "Ele é fraco deveria ter dito ao presidente o que estava acontecendo. Se ele não sabia, é incompetência", comentou. Com a crise, alguns parlamentares defendem a abertura de uma CPI exclusiva para o assunto, à despeito da CPI dos Grampos já existente na Câmara. Maurício Rands (PT-PE), no entanto, rechaçou a idéia. "Isso me parece uma perda de agenda. Propor uma CPI, quando já tem uma, me parece que é estar desconectado com os problemas da agenda brasileira", disse.

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