Garibaldi diz que mandará apurar caso de ex-servidora fantasma

Segundo a 'Veja', filho de Siméa reivindica parte da herança deixada pelo senador Antonio Carlos Magalhães

Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 19h01

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse que pedirá à Assessoria Jurídica da Casa que examine o caso da ex-servidora Siméa Maria de Castro Antun, que, durante cerca de 10 anos, recebeu o maior salário pago a ocupantes de cargos comissionados - de R$ 8,2 mil - sem prestar nenhum tipo de serviço.   O fato de que Siméa era "fantasma" do Senado se tornou público em reportagem da revista Veja sobre um processo em que o filho dela reivindica parte da herança deixada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), que morreu em julho do ano passado.   Siméa afirma que o deputado Luiz Eduardo Magalhães (PFL-BA), filho de Antonio Carlos - falecido em abril de 1998 -, é pai de seu filho, hoje com 14 anos. Desde a morte do deputado, Antonio Carlos a empregava em seu gabinete.   Ela foi mantida no cargo de secretária parlamentar pelo seu suplente e filho Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), que só a exonerou no dia 16 deste mês, quando foi procurado pela revista para falar sobre o assunto. Somados os salários desses 10 anos, Siméa recebeu do Senado - sem trabalhar - cerca de R$ 1 milhão.   Como não há nenhum tipo de controle, são comuns casos de servidores fantasmas no Senado, principalmente de parentes que eram contratados pelos senadores, antes da vigência da súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no final de agosto, proibiu a contratação de familiares até o terceiro grau nos cargos públicos de confiança.   A Comunicação Social do Senado afirma que cabe aos senadores escolherem os ocupantes dos 11 cargos de confiança a que têm direito e que podem ser "rachados" em quatro vagas. Quando os senadores usam o dinheiro para atender questões pessoais e familiares, com o é o caso de Siméa Castro, nada é feito, sob a alegação de que a Casa não pode fiscalizar os gabinetes dos senadores. Ou seja, o dinheiro é público, os salários são pagos pelos contribuintes, mas prevalece a norma que estimula o desvio.   Um caso notório foi o do primeiro-secretário do Senado, senador Efraim Morais (DEM-PB), que contratou - antes da súmula do STF - 12 parentes , entre eles a filha universitária, Caroline Morais.   Somando os familiares de aliados políticos de Efraim - entre eles, dois parentes do governador cassado da Paraíba, Cássio Cunha Lima -, a lista de favorecidos chega a 23 pessoas, algumas sob suspeita de serem fantasmas. O primeiro-secretário foi, ainda, alvo de uma ação do Ministério Público do Distrito Federal pela contratação suspeita de amigos e parentes de políticos - como a filha do líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Alves (RN), para a Interlegis.

Mais conteúdo sobre:
Garibaldi Alves

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.