Garcia se diz contra prisões por motivos políticos

Em postura diferente da que assumiu durante recente visita a Cuba, quando evitou comentar denúncias de violações dos direitos humanos pelo governo de Havana, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou hoje que não concorda com a existência de prisioneiros de consciência em nenhum país.

ROSA COSTA, Agência Estado

27 de abril de 2010 | 18h23

"Não gosto de prisões políticas em parte nenhuma do mundo. Acho que as pessoas que têm ideias políticas diferentes têm de ser combatidas pelas suas ideias e através de meios democráticos. Agora, eu não tenho condições de avaliar cada um dos presos que existe em cada um dos países, se eles estão vinculados exclusivamente à difusão de ideias, ou se eles, ao difundirem suas ideias, fizeram outras coisas."

Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores, no Senado, o assessor afirmou que "ideias devem ser combatidas com ideias." Garcia foi chamado à comissão para explicar afirmação - que teria feito em Havana - de que "há problema de direitos humanos em todo o mundo." Hoje, ele disse que houve "um mal-entendido" e que, na ocasião, queria dizer que há "denúncias de violações de direitos humanos em vários países." Aos senadores da comissão, citou como exemplos a questão da violência contra mulheres em países islâmicos, a polêmica sobre proibição de construção de mesquitas na Suíça e a discriminação contra migrantes em países europeus.

O assessor da Presidência reiterou que, desde o início da democratização do Brasil, a política em relação a Havana tem tido uma continuidade. Lembrou que, em 2002, quando o presidente do Brasil era Fernando Henrique Cardoso, houve uma reunião na da Organização das Nações Unidas (ONU) em que o representante brasileiro se mostrou contrário à manutenção do embargo econômico a Cuba.

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