Garcia diz que ´PT não tem pressa por cargos´

O presidente interino do PT e assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou, nesta quarta-feira, ao final de uma reunião do Conselho Político do PT com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a reivindicação de cargos no governo pelos petistas tenha sido apresentada durante o encontro. Ele afirmou que os integrantes do conselho, na conversa com Lula, insistiram na idéia de promoção de um desenvolvimento econômico mais forte e na necessidade de criação de mais empregos no segundo mandato de Lula. "Falamos sobre a necessidade de ter um segundo mandato voltado para o desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda", disse. O partido até concordou - pela primeira vez, explicitamente -, com a permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central. "Acho que a equipe econômica tem toda condição de tocar uma política diferente, para que o Brasil cresça mais", disse Garcia. "Claro que consideramos que o governo deixou a desejar na questão do desenvolvimento econômico; mas, ao mesmo tempo, foi muito competente na estabilização da economia", afirmou presidente do PT. "Portanto, a mesma equipe pode fazer uma mudança de rumos e trabalhar para o crescimento econômico com geração de renda", afirmou. Sobre eventual pedidos de mais cargos, Garcia disse que os petistas não falaram com Lula "no varejo, só no atacado", e que transmitiram a ele a preocupação em relação ao futuro governo. "(Dissemos a ele) que não queremos que (o segundo mandato) seja uma continuidade do governo atual, queremos que aprofunde o programa." Segundo o assessor, Lula respondeu que a idéia é formar um governo "gradualmente, com base na coalizão", e que ele, Lula, "não tem pressa." Garcia acrescentou que, diante disso, o PT também não tem pressa e vai discutir "o varejo" na próxima fase, depois de Lula voltar do período de descanso, na segunda quinzena de janeiro. "O PT não tem pressa. Isso aqui não é um latifúndio no qual estejamos pregando uma reforma agrária. Mais à frente, vamos fulanizar os cargos e vamos discutir no varejo." Garcia disse ainda que o PT conseguiu superar os escândalos em que se viu envolvido nos últimos anos, como o de Waldomiro Diniz (ex-assessor parlamentar da Casa Civil) e do mensalão, que revelou o esquema milionário do caixa 2 do partido e o suposto pagamento de mesadas para que parlamentares da base do governo votassem a favor de projetos de interesse do Palácio do Planalto e o da compra do dossiê contra políticos tucanos. "Esses escândalos não foram tão escandalosos, e a população também achou que não eram", respondeu Garcia. Garcia é o presidente do Conselho Político, formado ainda pela deputada gaúcha Maria Rosário (vice-presidente), pelo deputado aleito Jilmar Tatto (SP) e por outros dirigentes nacionais do partido. Este texto foi alterado às 20h25 para acréscimo de informação

Agencia Estado,

27 Dezembro 2006 | 20h03

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.