Garcia diz que deve haver cuidado com imagem do governo

O assessor especial da Presidência da República e presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, disse nesta sexta-feira que a questão do aumento salarial que a Mesa Diretora concedeu aos parlamentares deve ser tratada no âmbito do Congresso. Ele ressaltou, entretanto, que o reajuste deveria ser compatível com o aumento que a sociedade brasileira em geral recebe, podendo inclusive ser superior à inflação. "Prefiro deixar que essa questão seja discutida no Congresso. Não conheço os detalhes, mas acredito que o aumento vai significar cortes em outras vantagens que os parlamentares recebiam. Pelo menos, era o que vinha sendo discutido em um primeiro momento", afirmou. Garcia fez brincadeiras em relação ao assunto. Segundo ele, "o único salário que não tem subido é o do assessor especial da Presidência". "Continua congelado. Se vocês quiserem poderíamos fazer um movimento conjunto (para aumentar o salário)", sugeriu em tom jocoso aos jornalistas. Garcia declarou não ter uma visão moralista a respeito da questão do reajuste. Mas ponderou que deve haver um cuidado com a imagem do governo, por parte do Parlamento e das demais instituições do governo, que podem ser afetadas por essa decisão. Para ele, é preciso repensar a estrutura política do País e impedir que fenômenos, como os que ocorreram durante a crise do mensalão, voltem a acontecer no futuro. "Essa legislatura foi muito atingida por uma série de problemas, que acham que tem a ver muito mais com a estrutura política do que com os próprios parlamentares", opinou. Segundo ele, as candidaturas de Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) não devem serem enfraquecidas por conta do reajuste. "São candidaturas que tem intensidade própria. Teremos uma solução de unidade nessa questão. Podem ter certeza: não teremos outra morte e vida severina", garantiu, referindo-se a última disputa pela presidência da Câmara, em que o PT lançou dois candidatos e perdeu o cargo para Severino Cavalcanti (PP-PE). Sobre o crescimento econômico, Garcia disse que é necessário aguardar as medidas que o governo deve anunciar nos próximos dias. "Já entramos em um período de expansão, sem dúvida nenhuma. Se dependesse de mim, já estaríamos crescendo 8%". Em relação à presidência do PT, Garcia disse que está "ótimas mãos". Durante o discurso, feito no seminário "Reforma Política e Cidadania", promovido pela Fundação Perseu Abramo, o ministro disse que um dos problemas fundamentais que o País enfrentou nos quatro primeiros anos do governo do presidente Lula foi o fato de não ter assumido a reforma política como prioridade. "Essa é uma autocrítica que o governo deve fazer, pois pagamos um preço muito alto por isso", finalizou.

Agencia Estado,

15 Dezembro 2006 | 16h23

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