'Ganho, e ganho bem', disse Renan confiante antes da votação

Amigos, deputados, senadores e afilhados políticos trabalharam intensamente na noite da véspera e madrugada

Christiane Samarco e Expedito Filho, do Estadão,

12 Setembro 2007 | 20h10

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acordou com um prognóstico na cabeça e uma frase na boca que repetiu insistentemente a quem se encontrou com ele ou telefonou para lhe desejar boa sorte. "Ganho, e ganho bem", disse a todos os interlocutores, a começar pelos ministros que telefonaram para prestar solidariedade e desejar "força" para enfrentar a sessão secreta que começaria horas mais tarde.   Veja também:   Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação  Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Absolvição macula política brasileira', diz especialista  Galeria de imagens: confusão, soco e discussões Confusão, soco e discussões marcam 'julgamento'   Blog do Piza: Indecorosa absolvição   'Calvário não é só de Renan, é do Senado' PT nega articulação para absolver Renan 'Vou para a igreja rezar', diz Renan após absolvição Deputados e senadores trocam socos antes de sessão Ouça áudio do tumulto no Senado  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado Enquete: você concorda com a absolvição de Renan?   Renan foi absolvido por 40 votos a favor, 35 contra e 6 abstenções no primeiro processo no qual era acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista. Ele enfrenta ainda outras trêsa acusações.   Amigos, deputados, senadores e afilhados políticos trabalharam intensamente na noite e madrugada que antecedeu o julgamento para assegurar a sobrevivência política de Renan. Um parlamentar chegou a correr bares e restaurantes, durante a noite de terça, para conversar com senadores da oposição. De bar em bar, de mesa em mesa, ele foi formando a percepção de que o Senado seria indulgente com Renan. "O presidente (Renan) está salvo", informou a um dos coordenadores da operação.   O café da manhã de Renan foi em companhia do amigo e maior conselheiro dos últimos 110 dias, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). Mas Renan também recebeu, logo cedo, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e o senador José Sarney (PMDB-AP), que desembarcara em Brasília no meio da madrugada, de carona no jatinho da Força Aérea que trouxe o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, depois do jantar com toda a direção internacional da Alcoa, em São Luiz.   "O Renan é muito profissional e não transmitiu nenhuma sensação de instabilidade. Ao contrário, ele estava muito animado", contou no início da tarde o ministro da Integração Nacional, deputado Geddel Vieira Lima (BA), um dos ministros com quem o presidente do Senado conversou por telefone ontem. "Todo mundo no governo está achando que ele pode ganhar esta votação", completou Geddel, ao revelar que a confiança de Renan era partilhada por líderes governistas e de partidos aliados como o PT.   Um dos líderes da base que acompanhou cada passo deste processo diz que PMDB e PT caminharam unidos nos bastidores e que não foi por acaso que o partido de Renan deixou em aberto o voto da bancada e não recomendou solidariedade ao correligionário. "O PMDB agiu assim para dar cobertura ao PT, facilitando a vida dos petistas que já estavam sendo muito pressionados e não queriam se manifestar publicamente", explicou o líder.   No PSDB, além das promessas dos votos de FlechaRibeiro (PA), Papaleo Paes (AP), João Tenório (AL) , o governador de Alagoas, Teotônio Vilela, pediu aos governadores e caciques tucanos que ficassem distantes do caso Renan. O ex-senador Sérgio Machado, indicado pelo PMDB de Renan Calheiros para a presidência da Transpetro, trabalhou duro para manter o seu padrinho na presidência do Senado. Na noite de terça-feira, ele disparou telefonemas e fez promessas de ajuda aos senadores oposicionistas em troca de votos pela absolvição de Renan.   Machado não estava sozinho nessa empreitada. Na terça-feira, debruçado sobre os votos dos 81 senadores, Renan contou com a ajuda do irmão Renildo Calheiros (PC do B-PE), e do ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo, que trabalhou ativamente pela não condenação do senador alagoano.   O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) também teve papel de destaque. Ele cuidou de perto do voto do senador piauiense Mão Santa (PMDB) e emprestou sua capacidade de julgamento, adquirida durante seguidas votações da mesa da Câmara, para o trabalho de mapeamento dos votos em plenário.   A esse time juntou-se ainda um especialista em cassação do Senado - o deputado Jader Barbalho que quando senador renunciou para escapar do processo de cassação. No café da manhã, Barbalho arrematou a estratégia política que, mais tarde Renan, desenvolveria em plenário. Foi ele quem também sugeriu ao presidente do Senado a jogar duro com a Editora Abril. É do seu saco de maldades a idéia de abrir uma CPI contra o grupo editorial paulista que publica a revista Veja.   Enquanto o grupo de Renan trabalhava, parte da oposição bebia e a outra, menos combativa, já se encontrava de pijamas. Quando acordaram já era tarde: Renan amanheceu sabendo que derrotaria o Senado.

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