Ganhar celular de contraventor 'não é usual', diz Costa

O senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo contra Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética do Senado, afirmou nesta terça que vai levar em consideração o fato de o parlamentar ter recebido um aparelho Nextel de presente do contraventor Carlinhos Cachoeira na hora de elaborar seu parecer sobre o caso. Esse foi o ponto mais vulnerável das cinco horas de depoimento de Demóstenes ao colegiado.

RICARDO BRITO, Agência Estado

29 Maio 2012 | 18h59

O relator afirmou que o fato será muito bem analisado. "Não é usual que um senador ou um parlamentar conceda a uma pessoa claramente à contravenção a oportunidade de lhe presentear com um telefone para se comunicar. Mas naturalmente que eu vou levar em consideração tudo o que ele falou em sua defesa", disse ele, ao fim do depoimento.

Para Costa, a quebra de decoro é uma "coisa extremamente objetiva", que diz respeito sobre o que é uma conduta incompatível com a ética e a moral do trabalho parlamentar. Contudo, ele preferiu não fazer nenhum prejulgamento sobre o futuro de Demóstenes.

O relator admitiu que pretende apresentar dentro de três semanas o relatório final sobre o caso para ser votado no conselho. Ele adiantou que, assim como Demóstenes usou em sua defesa trechos dos grampos feitos pela Polícia Federal, também vai usá-los no seu texto.

O parlamentar disse que gostaria que o processo fosse votado no conselho até o final do mês de junho e, em plenário, antes do recesso parlamentar. "Acredito que sim, até porque no segundo semestre há um envolvimento de todos os senadores e senadoras com a eleição e esse assunto a nação brasileira exige uma resposta imediata", respondeu ele, quando perguntado sobre se o caso poderia ser aprovado antes de agosto.

Costa afirmou não acreditar que tenha havido esvaziamento da sessão, uma vez que apenas seis dos 15 integrantes do colegiado fizeram perguntas. O relator lembrou que não deixa de ser um "constrangimento" julgar um colega. Mas ele disse que vai trabalhar para que sua posição seja aceita tanto no conselho, com o voto aberto, como no plenário, com o voto secreto. "Não estou dizendo que eu vou pedir para que ele seja punido ou não. Vou trabalhar para que o meu relatório seja aceito por todos", afirmou.

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