Gafes e trapalhadas marcaram a cobertura da tragédia

A primeira trapalhada da série foi cometida pelo governador José Serra (PSDB)

Gustavo Miranda, estadao.com.br

12 de janeiro de 2008 | 03h01

Para o Ministério Público de São Paulo, há indícios de que houve negligência por parte do Consórcio Via Amarela (CVA) no desabamento da Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô, em 12 de janeiro de 2007. Na prática, a falta de um plano de gerenciamento de riscos ou um sistema de desocupação eficientes para o entorno da obra não é a única trapalhada sobre a notícia, que foi marcada por uma série de gafes, como a suposta não existência de vítimas ou ainda a resistência do governo do Estado em reconhecer o sétimo morto da tragédia.  Veja também:Tragédia do Metrô completa um ano sem punição de responsáveisUm ano após, famílias não superam a perdaEspecial cratera do metrô A primeira trapalhada da série foi cometida pelo governador José Serra (PSDB), que desapareceu logo depois das primeiras notícias de que havia acontecido o desabamento nas obras da futura estação Pinheiros da Linha 4. Ele só visitou o local do acidente à noite, quando disse à imprensa: "estou impressionado. Olhando daqui parecem carrinhos de brinquedo". Na mal organizada coletiva concedida pelo governador, que estava apenas havia 12 dias no cargo, uma área de risco acabou sendo invadida, o que provocou irritação entre as pessoas que trabalhavam no resgate.  Outra gafe foi a declaração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) ao jornalista Cesar Giobbi, no programa Planeta Cidade, exibido pela TV Cultura. Em um momento descontraído, o prefeito relatou um gracejo sobre os motéis que ficavam no entorno da área do desabamento. "Tem aquele motel ao lado do buraco do acidente do metrô que, quando veio o estrondo, imagina a zoeira que foi. Todo mundo saindo dos quartos", diz Kassab, que ainda disse que a cena teria sido uma "comédia" para quem estava lá, "apesar da tragicidade do momento".  Outro caso que chamou a atenção foi o da suplente de vereador Bilu Villela, que usou a tragédia na obra do Metrô para se promover. Bilu se disse vereadora e foi até a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, para acompanhar o enterro do cobrador Wescley Adriano da Silva. Em meio a emoção do sepultamento, anunciou a construção de um memorial às vítimas da cratera, depois de dizer que estava ali representando o prefeito de São Paulo e o governador José Serra - o que foi prontamente desmentido pelo secretário de Justiça do Estado, Luiz Antonio Marrey.   Tanto nos canteiros da Estação Pinheiros, como em Natal, se apresentava como vereadora da capital e entregava cartão de visitas com o logotipo da Câmara. O telefone citado é o do gabinete de Apolinário. "Tive autorização para representar a dor de São Paulo. Coloquei ao doutor Marrey (secretário estadual de Justiça) que iria providenciar uma manifestação de solidariedade. Houve conhecimento do secretário de Justiça", chegou a dizer Bilu, mesmo depois do desmentido. A proposta de fazer um memorial aos mortos também foi desmentida.  A Red Bull, empresa fabricante do energético de mesmo nome, foi protagonista de outra trapalhada. Durante o trabalho de resgate das vítimas, três funcionárias da empresa, maquiadas e usando bonés e mochilas com a logomarca da Red Bull, ultrapassaram a faixa de isolamento que separava os pedestres e repórteres do buraco para distribuir o energético aos bombeiros, policiais e engenheiros que trabalham no local do desastre. Acusada de se aproveitar da tragédia para promoção, a empresa divulgou nota esclarecendo a polêmica. Segundo a nota, tal ação "não teve cunho promocional, nem foi arquitetada pela empresa para se aproveitar de uma tragédia". A empresa apenas enviou funcionários para distribuir a bebida a pessoas em "situações de cansaço físico e/ou mental (...) para beneficiá-las com o efeito energético da bebida".

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