Gabrielli: é natural a Petrobras ser envolvida no debate

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse hoje que é natural que a Petrobras seja envolvida no debate eleitoral porque a empresa está "no centro do futuro do País". "A energia é fundamental para o crescimento brasileiro," disse o executivo após inauguração das unidades de coque e de hidrotratamento de diesel da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP). A estatal tem sido citada na propaganda eleitoral dos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

DAIENE CARDOSO, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

18 de outubro de 2010 | 15h01

Sobre a alta das ações da Petrobras, Gabrielli lembrou que os papéis caíram devido a um ajuste dos investidores que usaram uma brecha na mudança da legislação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). "Quando aumentou o imposto, existia a possibilidade de vender investimentos em ações, transformá-los em reais e comprar títulos de renda fixa no Brasil. No momento em que isso foi modificado pelo Ministério da Fazenda, as ações se recuperaram", afirmou.

Gabrielli negou que tenha revelado o processo de "desmonte" da estatal, em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, por motivos político-eleitorais. "Falo isso em vários momentos, minha posição é antiga, não é nova", argumentou. Ele citou uma série de ações tomadas na atual administração para recuperar a capacidade de crescimento da estatal.

Segundo Gabrielli, quando o ex-presidente da estatal José Eduardo Dutra assumiu, estavam em curso ações - e não um plano estruturado - de desmembramento das refinarias para torná-las mais fáceis para venda, a capacidade de engenharia e de investimento em tecnologias estavam limitadas, a estatal estava impedida de ampliar suas áreas de exploração e a nova gestão foi obrigada a fortalecer as funções corporativas.

O executivo disse que não é possível afirmar que a eleição de José Serra seja um perigo para a estatal. "Não posso dizer que existe esse risco, estou dizendo que, se a inibição do crescimento para a exploração voltar, se houver limitação do investimento no refino, se não houver boa relação com os trabalhadores, a empresa se modifica."

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