Gabrielli culpa imprensa por denúncias contra Petrobras

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta terça-feira que a empresa é vítima de uma "campanha orquestrada" por parte de órgãos da imprensa, que divulgaram nos últimos dias denúncias sobre suposto favorecimento a ONGs ligadas ao PT e a empresas que doaram recursos para campanhas petistas. Por duas ocasiões, Gabrielli fez críticas ao trabalho da imprensa e qualificou de "irresponsáveis" as notícias veiculadas. Gabrielli é mais um integrante do governo a lançar mão de críticas à imprensa. O atual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Marco Aurélio Garcia, que coordenou a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a recomendar que os órgãos de imprensa fizessem uma reflexão sobre o papel cumprido durante a campanha eleitoral.Garcia considerou que o seu partido e o governo foram prejudicados pela cobertura jornalística. O próprio presidente Lula referendou essa postura na semana passada, durante um evento na Venezuela ao lado do presidente Hugo Chávez. "Liberdade de imprensa é valor fundamental, mas exige responsabilidade nas notícias que são dadas", disse Gabrielli, em entrevista coletiva convocada na tarde desta terça-feira exclusivamente para comentar as denúncias. Segundo ele, foi uma entrevista "não usual", porque trataria do trabalho da imprensa e não de fatos relacionados a negócios da estatal. Dizendo-se revoltado, o executivo constrangeu um dos autores das reportagens, afirmando que o repórter não é bem-vindo na empresa. As notícias que irritaram o presidente da Petrobras levantam suspeitas sobre doações de recursos da estatal que beneficiaram filiados ao PT, por meio de programas sociais. Além disso, sugerem que a estatal vem repassando recursos a campanhas petistas por meio de empresas com as quais tem contratos. Gabrielli argumentou que a Petrobrás tem mais de 70 mil fornecedores e 1.751 projetos sociais em andamento e que não tem gestão sobre interesses político-partidários de fornecedores ou ONGs beneficiadas. "São 70 mil fornecedores. Selecioná-los por critérios éticos, étnicos, ideológicos, políticos ou quaisquer outros, é possível", afirmou. Gabrielli afirmou ainda que os repasses para ONGs beneficiadas pelos programas sociais são feitos com base em uma série de análises técnicas, que consideram, entre outras coisas, o mérito dos programas, a integração com outros projetos apoiados e a capacidade de gestão dos proponentes. "Não pedimos, em nenhum momento, filiação partidária ou coloração político-ideológica. Mas é evidente que, se vocês forem procurar quem é quem, vão encontrar diversas ilações"

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