Gabinete de Cafeteira abriga clã

Aliado deu emprego a parentes do presidente do Senado

, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Num vaivém de brigas com a família Sarney no Maranhão, o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) revelou-se um homem generoso com o clã político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Seu gabinete de 60 metros quadrados transformou-se numa extensão da casa da família Sarney. Lá, encontraram abrigo o sobrinho do presidente, o neto, o irmão e até uma ex-namorada do filho de Sarney . Ex-governador do Maranhão, Cafeteira confessa que não segue de perto o trabalho dos assessores. "Não sou fiscal", afirma. Se fosse, ele teria de viajar à Espanha para saber se Isabella Murad estava cumprindo seu dever como assistente parlamentar do PTB no Senado. Ela é sobrinha de Jorge Murad, genro de Sarney. Foi nomeada em 2007, quando Cafeteira era o líder do partido. Somente ontem a funcionária foi exonerada. Segundo ele, o problema foi ter "esquecido" de sua mudança para Espanha.Na quinta-feira, durante um cafezinho no plenário do Senado, disparou sobre as críticas que tem recebido nas últimas semanas. "Tem tanta coisa imoral que prefiro não comentar." A divulgação de atos secretos mostrou, por exemplo, que João Fernando Sarney, neto do presidente do Senado, trabalhou um ano e dez meses no gabinete do parlamentar. Foi um "favor" a um filho do peemedebista, o empresário Fernando Sarney, segundo palavras dele.Cafeteira é o mais velho entre os colegas. Aos 85 anos, está em seu segundo mandato como senador. Foi o primeiro relator do processo de cassação de Renan Calheiros (PMDB-AL) em 2007 no Conselho de Ética. Tentou absolvê-lo. Pressionado, abandonou a missão.De volta à cena em 2009, ele continua com frases polêmicas, principalmente para defender o Senado e os senadores das denúncias que assolaram a Casa nos últimos meses. Não vê problema em abrigar em seu gabinete parentes de Sarney - alguns suspeitos de serem "fantasmas". "Eu tenho que contratar pessoas que possa demitir. Se a pessoa vota comigo, ela quer me ajudar", diz. "Não posso pôr meus adversários no gabinete."

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