Gabeira troca prorrogação por depoimentos de petistas

A oito dias do fim do prazo estabelecido para a conclusão dos trabalhos da CPI dos Sanguessugas, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) tenta negociar os depoimentos do presidente licenciado do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e de Freud Godoy, ex-segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As convocações de Berzoini e Freud foram aprovadas pela comissão em 17 de outubro, mas até hoje eles não foram chamados para depor. Gabeira está disposto a abrir mão da prorrogação da CPI por mais 30 dias em troca dos depoimentos dos petistas. "Vou tentar trocar a prorrogação da CPI por mais esses dois depoimentos", diz o deputado. Segundo ele, o requerimento que prevê a prorrogação dos trabalhos da comissão até 18 de janeiro já conta com a assinatura de "mais de cem deputados" - é necessário o apoio de, pelo menos, 171 deputados. No Senado, já foi recolhida a assinatura de 27 senadores (o equivalente a um terço da Casa) para estender o prazo de funcionamento da comissão até meados janeiro, durante o recesso parlamentar. "Queremos que a CPI funcione um pouco mais para coincidir com o fim do inquérito da Polícia Federal, que deve ocorrer até o fim de dezembro", explica Gabeira. Mas, o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), é contra a prorrogação dos trabalhos da comissão. Ele alega que dificilmente a CPI conseguirá se reunir durante o mês de janeiro, o que acabaria inviabilizando a aprovação de um relatório final. "Seria o pior dos mundos a CPI acabar sem relatório", avalia o petista. No final de novembro, o delegado Polícia Federal de Mato Grosso Diógenes Curado pediu à Justiça a prorrogação das investigações sobre a compra do dossiê contra políticos tucanos. No relatório, o delegado informou que há indícios de que Berzoini sabia do esquema. Curado observou, no entanto, que as provas não são suficientes para incriminar o petista e, por isso, as investigações contra ele não serão encaminhadas agora ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ao pedir mais prazo para as investigações, o delegado afirmou que ainda não descobriu a origem do dinheiro para a compra do dossiê antitucano. Freud Godoy foi apontado por Gedimar Passos, ex-integrante do núcleo de inteligência da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a pessoa no PT que mandou pagar pelo dossiê. Depois, Gedimar mudou seu depoimento, passando a isentar o ex-segurança do presidente da República e a afirmar que o citou por pressão do delegado da PF Edmilson Bruno, primeiro a interrogá-lo. Gedimar Passos foi preso junto do Valdebran Padilha no dia 15 de setembro, no Hotel Íbis, em São Paulo, com R$ 1,75 milhão que seria usado para a compra do dossiê contra os tucanos.

Agencia Estado,

10 Dezembro 2006 | 18h16

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