Gabeira cola em Serra e apresenta propostas do tucano

Apoiado tanto por Marina Silva (PV) quanto por José Serra (PSDB), o candidato verde ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, adotou discurso que apresenta sintonia maior com o tucano do que com sua companheira de partido. Em entrevista realizada hoje, Gabeira citou diversas vezes São Paulo, Estado que foi governado por Serra até abril, como modelo nas áreas de saúde e segurança, e mencionou ao menos seis itens que estão entre as propostas do ex-governador tucano, como colocar dois professores em cada sala de aula e transformar trens de subúrbio em metrôs de superfície.

BRUNO BOGHOSSIAN, Agência Estado

25 de agosto de 2010 | 18h47

Apesar de reforçar que sua candidata é mesmo Marina, o candidato do PV fluminense reconheceu que a proximidade com o tucano pode representar uma "ambiguidade" para o eleitor. "Minha candidata é a Marina, e tenho grande respeito e o apoio do Serra", afirmou Gabeira, em sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo. "A ambiguidade permanece. Toda vez que estou com o Serra, me perguntam pela Marina. Toda vez que estou com a Marina, me perguntam pelo Serra."

No evento, Gabeira prometeu implantar no Rio um projeto nos moldes da Nota Fiscal Paulista (criada em 2007), um programa de bônus para professores (vigente em São Paulo desde 2008) e um projeto estadual de segurança que siga os modelos paulista e mineiro. O candidato citou ainda os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), de Serra, como exemplo para a saúde pública.

Para o candidato do PV, a consonância de suas propostas com o programa tucano para a Presidência e com os projetos desenvolvidos por Serra à frente do governo paulista é resultado de seu diálogo com o presidenciável do PSDB. "Existe uma sintonia em alguns pontos. No caso do metrô na superfície, essa era nossa proposta em 2008 (na campanha para a prefeitura do Rio) e, quando o Serra se tornou candidato, ele também adotou essa proposta", disse Gabeira.

Ataque

O candidato do PV voltou a criticar o programa de seu adversário na disputa, o governador Sérgio Cabral (PMDB), de criar Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em todo o Estado e acusou o atual governo de estar ligado a políticos apoiados por traficantes da Rocinha, na zona sul da capital fluminense.

Gabeira afirmou que seu partido teve dificuldades para atuar na favela devido à interferência do vereador Claudinho da Academia (PSDC), que morreu em junho deste ano e foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por supostamente ameaçar eleitores com o apoio do chefe do tráfico local, Antônio Bonfim Lopes, conhecido como Nem.

"O PV tentou instalar um trabalho (na Rocinha) e foi expulso pelo Claudinho da Academia", afirmou. "O Nem não está ali por acaso. Ele está ali porque, há muito tempo, tinha um braço político, que era articulado com o governo." O governo do Rio não comentou a declaração.

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