Fuvest abre a fase do vestibular "acessível"

Os vestibulandos da Fuvest terão amanhã pela frente uma prova mais ?acessível?. É assim que os organizadores do exame definem os primeiros sinais de uma mudança que está sendo estudada para o mais concorrido vestibular brasileiro. Os enunciados longos e as alternativas de respostas muito extensas, que já parecem marcas registradas da Fuvest, estão sendo deixados de lado. Entra no lugar uma linguagem mais clara, principalmente nas provas consideradas mais complicadas, como as de Física e Química."O vestibular fica mais acessível, mas isso não quer dizer, de maneira nenhuma, que esteja mais fácil", afirma a vice-diretora da Fuvest, Maria Thereza Fraga Rocco. "A questão pode exigir o mesmo tipo de conhecimento, mas com enunciado menos complexo." A prova de amanhã tem 80 testes, sendo 26 de Português, 14 de Inglês, 20 de Química e 20 de Física. O tempo máximo para a resolução e preenchimento do gabarito é de quatro horas, o que significa menos de três minutos para ler, resolver e responder cada questão. "A gente fica mais nervoso quando vê que está perdendo muito tempo em uma pergunta", diz o vestibulando André Vitor de Oliveira, 20 anos, que disputa uma vaga no curso de administração de empresas.Nervosismo e vestibular não combinam. Ainda mais no exame da Fuvest, em que o jovem disputa uma vaga com até 98 pessoas. Este ano, com a criação de 13 novos cursos e outras novas vagas, a Fuvest oferece 8.246 lugares, sendo 7.801 na Universidade de São Paulo (USP), 230 na Santa Casa e 215 na Academia de Polícia Militar do Barro Branco. São 146.517 vestibulandos inscritos.A proposta de mudança no vestibular ainda provoca dúvidas. "A Fuvest nunca faz uma pergunta direta, sempre floreia o enunciado", diz o coordenador-geral do Curso Objetivo, Antônio Mario Salles. Ele acha difícil que o estilo seja mudado depois de tantos anos.A vice-diretora da Fuvest assegura que elas estão a caminho. "Serão pedidas menos fórmulas", diz. Ela também afirma que isso favorecerá mais ainda alunos que tenham maior capacidade de raciocínio. "Com isso, pessoas que não estudaram em colégios de ponta terão mais chances na disputa pelas vagas."ConteúdoAs mudanças refletem uma determinação da pró-reitoria de graduação da USP, que quer deixar o conteúdo do vestibular mais próximo dos alunos de escolas públicas. Os programas de todas as disciplinas estão sendo repensados e outras modificações devem ser notadas no ano que vem. "O que tem de ficar claro é que não se vai baixar o nível de conhecimento exigido", diz."Há uma tendência atual em usar o que há de melhor no Enem, mas acho que a Fuvest nunca deixará de exigir também o conteúdo", diz o coordenador do Cursinho Anglo, Ernesto Birner. "São necessários alguns pré-requistos para cursar uma faculdade."O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), feito pelo Ministério da Educação, é aplicado aos alunos que terminam o colégio. O teste analisa os formandos por áreas de conhecimento, não pelas disciplinas, exigindo muito raciocínio e quase nada de memorização.O vestibular começará mais cedo este ano - às 13 horas. Os candidatos devem chegar ao local do exame antes das 12h30. Serão cinco provas, com a ordem diferente das questões para evitar cola. O exame será aplicado em 208 escolas, sendo 128 em São Paulo e na região metropolitana. Pela primeira vez haverá exame em Uberlândia (MG). A primeira fase continua no dia 2 de dezembro com mais 80 testes de História, Geografia, Matemática e Biologia, sendo 20 de cada disciplina.

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