Futuro político de Aécio é incerto

Conteúdo das delações de empresários da JBS e construção da Cidade Administrativas estão na mira das Justiça

Bruna Furlani Marcelo Hermsdorf, especiais para o Estado, Impresso

04 de junho de 2017 | 05h00

A denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Aécio Neves (PSDB-MG) com base na delação dos empresários do Grupo J&F não é o único imbróglio jurídico do agora senador afastado. A construção da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro, está sob investigação no Ministério Público de Minas Gerais. A Justiça apura a suspeita de que a obra, que custou R$ 1,2 bilhão, teve direcionamento de licitação durante o período em que Aécio foi governador de Minas.

Porém, para especialistas, ainda é cedo dizer que a carreira política dele acabou. “Um político morre várias vezes”, afirma o professor e cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Aragão. “Por isso, não acredito que seja o fim de Aécio. Se continuar elegível, ele tem chance porque tem adeptos e muitos seguidores.”

Na visão do cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marco Antônio Teixeira, Aécio pode ter trajetória parecida com a do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que quando entrou na política obteve muito sucesso e, em seguida, caiu no ostracismo após denúncias.

Segundo Teixeira, a perspectiva de Aécio se eleger para cargos maiores como o de presidente e governador do Estado de Minas está “liquidada”. “O ideal é que ele tentasse cargos mais proporcionais e de risco menor como, por exemplo, deputado federal e estadual, já que há mais cadeiras em disputa”, afirma Teixeira.

O cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) Ricardo Ismael afirma que o senador afastado ainda é jovem, mas para o cenário eleitoral de 2018, Aécio deverá ficar fora do jogo político.

Ismael destaca que ele deve focar em sua defesa para evitar uma possível condenação no STF. “Caso seja absolvido, ele pode retornar com um discurso de vítima e perseguição. Mas não alcançará a projeção nacional que obteve, especialmente em 2014, pelo menos a curto prazo.”

Mesmo com uma eventual punição da Justiça, Ismael diz acreditar que ainda há espaço para um possível retorno, apesar de todas as dificuldades. “Ele precisa recomeçar em seu domicílio político, e testar seu poder de influência com o PSDB mineiro.”

Ex-governador de Minas, Aécio ocupou o Palácio da Liberdade por dois mandatos, de 2003 a 2006, e de 2007 a março de 2010. Ele também é investigado por ter sido sócio de uma rádio, com sua irmã Andrea Neves, presa na Operação Patmos, durante o mandato como senador. / COLABOROU LEONARDO AUGUSTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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