Alex Ferreira/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Alex Ferreira/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Futuro ministro da Justiça diz que não pretende mudar cúpula da PF

Osmar Serraglio, que toma posse nesta terça-feira, 7, afirma que não seria ‘maluco’ de tirar Leandro Daiello do comando da corporação

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

06 Março 2017 | 22h02

BRASÍLIA - Na véspera de assumir o Ministério da Justiça, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) afirmou nesta segunda-feira, 6, que não pretende fazer mudanças na cúpula da Polícia Federal, corporação subordinada à pasta e responsável por conduzir as investigações da Operação Lava Jato.

Ao ser questionado sobre o tema enquanto circulava pela Câmara dos Deputados, o futuro ministro chegou a brincar dizendo que trocaria o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, nos próximos 15 dias, porque ele estava interferindo demais nos rumos da Operação Lava Jato. Diante da reação de incredulidade dos repórteres, Serraglio riu e afirmou que não seria “maluco” de fazer isso.

A cerimônia de posse do ministro da Justiça está marcada para as 15h30 desta terça-feira, 7.

Serraglio afirmou que ainda está definindo a sua equipe. Segundo o peemedebista, o secretário executivo da pasta, José Levi Mello do Amaral, que está como ministro interino, será mantido no cargo e um nome de São Paulo, indicado pelo advogado criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, será o novo secretário de Segurança Pública. O próprio Mariz chegou a ser sondado para ocupar o Ministério da Justiça, mas as negociações não avançaram.

Funai. O futuro ministro afirmou também que ainda vai analisar se mantém ou não no cargo o novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antônio Fernandes Toninho Costa, indicado para o cargo em janeiro. O órgão é subordinado ao Ministério da Justiça.

Serraglio, integrante da bancada ruralista da Câmara dos Deputados, foi o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, de 2010, que prevê que a demarcação de terras indígenas e quilombolas tem de passar pelo Congresso, em vez de depender apenas do Poder Executivo. “Essa é uma questão delicada”, limitou-se a dizer o futuro ministro.

Pressão. Serraglio foi nomeado por Michel Temer como ministro da Justiça no último dia 23. Desde que o presidente escolheu o então titular da pasta Alexandre de Moraes para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) – em substituição ao ministro Teori Zavascki, que morreu em janeiro em um acidente aéreo no Rio –, a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados pressionava o governo por mais espaço e para ficar com o comando do Ministério da Justiça.

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