Futuro de Renan depende de laudo da perícia, dizem senadores

Resultado de análise da PF atestará se senador teve renda de R$ 1,9 milhão com venda de gado em 4 anos

Rosa Costa, do Estadão,

31 de julho de 2007 | 20h27

O recesso parlamentar não amenizou as pressões políticas contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado ao Conselho de Ética por suspeita de quebra de decoro parlamentar. É consenso entre os parlamentares que o futuro de Renan será ditado pelo laudo da perícia que a Polícia Federal está fazendo dos documentos que ele apresentou para justificar a renda com venda de gado de R$ 1,9 milhão em quatro anos.   Segundo senadores, o presidente da Casa dificilmente conseguirá apoio para manter o mandato se o laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF provar que ele cometeu perjúrio na sua defesa. E, ainda, que não são reais a maior parte das operações de compra e venda de gado de onde ele afirma ter tirado o dinheiro que utilizou para custear despesas pessoais com a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos. Renan Calheiros é suspeito de ter repassado esses gastos para a empreiteira Mendes Júnior.   "Entre o parlamentar, que é passageiro, e a instituição que é imprescindível, obviamente temos de ficar com a instituição", afirma o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), referindo-se a um eventual impasse entre o mandato do colega e os estragos causados à imagem do Senado pela denúncia contra seu presidente.   No início do processo, em junho, Renan tinha a seu lado quase que todo o PMDB, o PT e os demais partidos da base aliada do Planalto. De lá para cá, o número de apoio vem diminuindo drasticamente, a ponto de a líder do bloco do governo, senadora Ideli Salvatti (PT-SC) - que chegou a sugerir o "julgamento" dos repórteres que escreveram contra Renan - mudar de lado.   Idéia ultrapassada   O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), lembra que a acusação por quebra de decoro deixa pouco espaço para manobrar em favor de Renan, caso a perícia venha a desmontar os argumentos utilizados por ele para se defender. A idéia dele renunciar à presidência, cogitada no início do processo, está ultrapassada, tanto na avaliação da oposição como na de seus defensores.   "É uma saída que está absolutamente fora do tempo alega o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Por ora, o único fato que Guerra vê a favor de Renan foi o fato dele transferir as decisões relacionadas ao processo ao primeiro-vice presidente, senador Tião Viana (PT-AC). "No mais, tudo vai depender que estiver escrito no laudo pericial", acrescenta.   Um dos relatores do Conselho de Ética, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), descarta por completo a hipótese de Renan adotar a estratégia de deixar a presidência para conservar o mandato. Alega que até o presente momento, não tem porquê duvidar da inocência do colega. "Mas se aceitasse um acordo dessa natureza, ele estaria dando uma prova de culpa", argumenta.   Almeida concorda que o resultado da perícia deve orientar o julgamento do conselho, sem se prender a eventuais fatores políticos. "Ali temos uma instância jurídica onde se pratica a Justiça do homem sob o ponto de vista jurídico", alega. O senador Papaléo Paes (PSDB-AP), tampouco acredita na possibilidade de Renan renunciar ao comando do Senado. Não só por acredita que ele mostrou firmeza quando rejeitou a idéia, mas também por confiar que o cargo o torna mais forte.

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