Valter Campanato/Agencia Brasil via AP
Valter Campanato/Agencia Brasil via AP

Futura ministra Damares Alves quer assumir também a Fundação Palmares

Ministra confirmou o plano de integrar a fundação criada para incentivar a preservação da arte e da cultura afro-brasileira ao novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

André Borges, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 12h54

BRASÍLIA – O novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, que terá a Fundação Nacional do Índio (Funai) sob sua tutela, também poderá assumir o comando das atividades da Fundação Palmares, instituição que hoje está vinculada ao Ministério da Cultura. A informação foi confirmada ao Estado pela futura ministra da pasta, Damares Alves.

Questionada sobre o assunto, a ministra confirmou o plano de integrar a fundação criada para incentivar a preservação da arte e da cultura afro-brasileira. “Estamos estudando isso. Pode ser que (a Fundação Palmares) fique conosco. Temos que reconhecer o bom trabalho que essa fundação já fez. Esses povos existem, estão aí e não serão ignorados”, declarou.

A Fundação Palmares está em atividade desde 1988, tendo sido a primeira instituição pública voltada para promoção e preservação da arte e da cultura afro-brasileira. Neste período, emitiu mais de 2.400 certificações para comunidades quilombolas no País. O documento reconhece os direitos das comunidades quilombolas e dá acesso aos programas sociais do governo federal.

As comunidades quilombolas foram alvos de ataque do presidente eleito Jair Bolsonaro durante discurso realizado no Clube Hebraica, no Rio, em abril do ano passado. “Eu fui em um quilombo em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”, afirmou o então deputado. Bolsonaro disse ainda que os quilombolas da comunidade “não fazem nada” e “nem para procriador eles servem mais”.

Bolsonaro foi alvo de ação do Ministério Público Federal. Em junho deste ano, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu o recebimento da denúncia contra Bolsonaro por racismo e manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas e refugiados. O parecer foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para Raquel Dodge, as palavras utilizadas por Jair Bolsonaro ultrapassaram a liberdade de pensamento e transbordam para o conteúdo discriminatório e preconceituoso aos grupos aos quais ofende.

Em setembro, porém, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro (PSL) pelo crime de racismo por ter se referido ao peso de quilombolas por arrobas, medida usada para pesagem de animais. O julgamento estava empatado em 2 a 2, mas o ministro Alexandre de Moraes trouxe voto-vista no sentido de arquivar o caso e não abrir penal para prosseguir a investigação contra o político.

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