Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

'Fusão com PSB vai mudar correlação de forças no País', afirma presidente do PPS

Novo partido pretende lançar Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 17h26

BRASÍLIA- De olho nas eleições municipais de 2016, PSB e PPS anunciaram hoje o início do processo de fusão das duas siglas. A ideia é que o trâmite seja concluído até junho para que em outubro, prazo legal estabelecido pela Justiça Eleitoral, o novo partido esteja montado e apto a disputar prefeituras das capitais no ano seguinte. 

Com a filiação dada como certa da senadora Marta Suplicy (SP), que deixou o PT ontem, o novo partido pretende lançá-la à prefeitura paulistana. Segundo o presidente do PSB, Carlos Siqueira, Marta assinará a filiação nos próximos dias. "Teremos nomes competitivos para quase todas as capitais", disse. 

Na coletiva de imprensa de hoje, Siqueira e o presidente do PPS, Roberto Freire, deixaram clara a posição de independência com tendência oposicionista. "Não temos motivos para apoiar o governo", enfatizou Siqueira. 


Os dirigentes lembraram que PPS e PSB compõem uma base de esquerda que estiveram juntas durante o golpe militar, o movimento das Diretas, a Constituinte e o governo Itamar Franco. "A fusão vai mudar a correlação de forças no País", comentou Freire, destacando que a reaproximação dos partidos se deu na eleição presidencial de 2014 com o lançamento da candidatura de Eduardo Campos, morto em agosto passado. "Somos dois partidos com raízes na esquerda democrática", completou Siqueira. 

Divergências. O PSB deixou a base governista em 2013, quando já preparava o lançamento da candidatura presidencial de Campos. Atualmente o partido assumia uma postura de independência, enquanto o PPS mantinha um forte discurso de oposição. As diferenças são sentidas na Câmara dos Deputados, onde as bancadas têm orientando seus deputados de forma oposta nas votações. Na entrevista, Freire minimizou as diferenças e que agora buscarão a unidade entre as duas siglas. 

"A gente sente deles uma disposição de rever alguns pontos", comentou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). A primeira sinalização dos novos rumos no discurso foi demonstrada hoje, quando Freire disse que o movimento pró-impeachment de Dilma não foi discutido no PPS. "As condições não estão dadas", justificou. O PSB se coloca contra o impeachment. 

A primeira divergência pública é sobre o novo nome da sigla. Os pessebistas defendem que seja mantido PSB com a inclusão do número 40 da legenda. "Somos uma marca consagrada, não tivemos decréscimo de uma eleição para outra. Acho que não devemos mudar uma marca que está dando certo", defendeu Siqueira. Já o PPS quer que fique PS (Partido Socialista) 40. "Isso não será impedimento para algo muito maior", desconversou Freire.

Com a fusão, PPS e PSB terão nove senadores (já incluindo Marta Suplicy e a ex-tucana Lúcia Vânia, que estão em negociação), três governadores, 55 deputados federais, 92 deputados estaduais, 568 prefeitos (sendo quatro de capitais), 5.831 vereadores e 792 mil filiados.

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