Fundos do Opportunity perderam R$ 3,2 bi desde julho

Informações são do site Fortuna; banco fazia parte de esquema de desvio de recursos públicos e lavagem

Mônica Ciarelli, da Agência Estado

11 de setembro de 2008 | 17h52

Os fundos de investimentos do Opportunity já perderam R$ 3,2 bilhões desde o dia 8 de julho, quando a cúpula do grupo foi presa pela Polícia Federal na Operação Satiagraha, até 9 de setembro, último informativo disponibilizado pelo Opportunity. A fuga já representa 17,6% dos ativos antes da ação da PF. Os dados são do site Fortuna, com base em informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid). A pesquisa contabilizou todos os pedidos de resgate feitos pelos clientes no período. As maiores perdas, segundo o Fortuna, foram verificadas nos fundos de curto prazo, o que corresponde a R$ 1,9 bilhão do total que já saiu do Opportunity. Segundo a PF, o Opportunity fazia parte de esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e uso de informação privilegiada, entre outros crimes. Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão. Entre os presos estiveram o sócio-fundador do grupo, Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. As perdas registradas nos últimos meses já superam o patamar de 2004, quando Dantas foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Chacal. Na época, os saques dos fundos da instituição chegaram a atingir entre 15% do patrimônio total nos 90 dias seguintes ao anúncio do indiciamento. A Operação Chacal investigou o esquema de suposta espionagem industrial durante a briga entre o Opportunity e a Telecom Italia pela Brasil Telecom (BrT). Apesar das saídas terem somado R$ 3,2 bilhões, o patrimônio dos fundos do grupo encolheu ainda mais, R$ 4,9 bilhões, por conta das perdas registradas pela Bolsa de Valores de São Paulo em julho. O fraco desempenho do mercado de capitais afetou a rentabilidade dos ativos do Opportunity, que tem cerca de 60% do patrimônio da gestora de recursos aplicado em fundos de ações.

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