Fundo de pensão de Furnas tem nova diretoria executiva

Funcionário de carreira irá presidir a Fundação Real Grandeza; cargo era cobiçado pelo PMDB

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

29 Outubro 2009 | 20h45

Um acordo entre os representantes das patrocinadoras e dos beneficiários permitiu que a Fundação Real Grandeza (FRG), o fundo de pensão de Furnas e Eletronuclear, definisse, na tarde desta quinta-feira, 29, os nomes de sua nova diretoria executiva. Os cargos são cobiçados pelo PMDB desde que o partido ganhou a direção da estatal, em 2007, mas os funcionários resistiam à ingerência no fundo. Por unanimidade, o conselho deliberativo da fundação aprovou ontem o nome do administrador de empresas Aristides Leite França para o cargo de diretor-presidente e o do economista Eduardo Henrique Garcia para a diretoria de investimentos.

 

Funcionário de carreira de Furnas há 34 anos, França foi indicado pelos representantes dos segurados no conselho. Ele trabalha no setor de recursos humanos da estatal e tem experiência na gestão da fundação. Pelo acordo, Furnas indicou Garcia, que é superintendente de planejamento financeiro e orçamento da estatal. O nome de Garcia foi um dos aventados pela direção da estatal no início deste ano para substituir o atual diretor executivo, Sérgio Wilson Ferraz Fontes, antes do fim de seu mandato. No entanto, a forte reação dos funcionários, que ameaçaram fazer greve, paralisou a ofensiva.

 

Satisfeitos com a administração de Fontes, considerada técnica e protegida de ingerências políticas, os funcionários queriam a recondução do executivo. A direção de Furnas não concordou e um fórum com representantes de quase 20 sindicatos da categoria entrou em campo para definir nomes de consenso. Entre eles, estava o de França. Os funcionários haviam sugerido um outro nome para a diretoria de investimentos, do próprio quadro da FRG, mas Garcia, indicado por Furnas, foi escolhido pelo conselho, inclusive com o voto dos conselheiros que representam os participantes, após uma sabatina na manhã de quarta-feira, 28.

 

Na sabatina, Garcia afirmou que, apesar do cargo de confiança em Furnas, não tem filiação partidária ou ligações com políticos do PMDB. O apetite do partido pelo controle do fundo, que tem um superávit de R$ 1,1 bilhão, é atribuído ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que nega a intenção.

 

"Quando Garcia foi cogitado no início do ano, havia muitos boatos. Era um momento de tensão grande e qualquer indicação era rejeitada. Mas na sabatina ele disse que não tem vinculação política e que vai manter toda a equipe da área de investimentos, que está dando certo", disse Adilson Almeida, diretor do Sindicato dos Eletricitários de Furnas.

 

Representante dos participantes no conselho da FRG, Horácio de Oliveira também disse que a rejeição a Garcia no início do ano era à tentativa de Furnas de terminar com o mandato de Fontes antes do tempo e disse confiar que o fundo está protegido das investidas políticas. "Agora houve consenso. A diretoria é da nossa confiança. Se não fosse, não teria havido consenso", afirmou.

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