Fundador do PT anuncia filiação ao PDT

Fundador do PT e campeão de votos nas eleições de 2000 para a Câmara de Porto Alegre, o vereador e candidato derrotado a presidente nacional do partido, José Fortunati, anunciou nesta terça-feira a adesão ao PDT para concorrer, possivelmente, a governador em 2002.A cerimônia de filiação vai ocorrer na próxima quinta-feira, com a presença do presidente nacional do partido, Leonel Brizola, para quem a conquista de um petista histórico tem sabor de vingança.Desde 2000, o PDT gaúcho perdeu vários líderes para o PT, até mesmo o filho de Brizola, José Vicente Brizola, que assumiu um posto no governo Olívio Dutra (PT).Ex-funcionário de banco, como Olívio, Fortunati sucedeu o governador no comando do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, nos anos 80, e, agora, tentará sucedê-lo no governo, mas disputando em lado oposto.Ex-vice-prefeito de Porto Alegre e ex-deputado federal, Fortunati deixou a legenda fazendo severas críticas às administrações da sigla."Bastou assumirmos o poder para que o nosso nepotismo e a nossa reeleição passassem a ser éticos", afirmou o vereador, referindo-se à decisão de alguns prefeitos petistas de empregar parentes ou de disputar um segundo mandato.Crítico público das práticas internas, Fortunati acumulou inimizades na cúpula da agremiação e isolou-se cada vez mais durante os últimos três anos.Na linha sucessória do PT, deveria ter sido o candidato a prefeito da capital gaúcha em 2000, mas foi preterido pelos aliados, que apoiaram a candidatura do prefeito Tarso Genro.Eleito vereador com uma votação recorde de 40 mil votos, Fortunati constituiu uma corrente própria e lançou-se a presidente nacional do PT, mas renunciou duas semanas antes do pleito por causa dos boatos de que deixaria o partido.Principal nome do PDT gaúcho para a sucessão estadual, Fortunati também é cogitado para ser candidato a vice-presidente numa chapa com o ex-governador Antônio Britto, que se filiará ao PPS.As duas legendas, mais o PTB, discutem a formação de uma frente anti-PT no Estado, mas os líderes pedetistas têm restrições à participação de Britto numa chapa majoritária."Temos diferenças ideológicas impossíveis de superar. A população está olhando-nos e iria condenar esse quadro", afirmou Brizola.

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