Fundação denuncia construção de estrada em área quilombola

A empresa ACS foi multada pelo Ibama; comunidade havia denunciado caso e bloqueou estrada no Estado

Agência Brasil

03 de março de 2008 | 18h46

A Fundação Palmares, entidade de defesa da cultura afro-brasileira ligada ao Ministério da Cultura, constatou que a empresa Alcântara Cliclone Space (ACS) está construindo uma estrada em terras ocupadas tradicionalmente por comunidades quilombolas, em Alcântara, no Maranhão. Por causa disso, a empresa foi multada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No dia 25 de fevereiro, a comunidade Mamuna havia denunciado a devastação da área onde mora. Como forma de protesto, eles bloquearam o acesso à estrada. A ACS é um consórcio de empresas brasileiras e ucranianas que trabalham no desenvolvimento de projetos para viabilizar o lançamento de foguetes da Base de Alcântara. O consórcio já havia formalizado uma reclamação junto a órgãos governamentais alegando que estaria apenas realizando estudos para a construção da via, já que o Ibama não tinha liberado o início das obras. A diretora de Proteção do Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Palmares, Maria Bernadete Silva, que esteve em Alcântara, contesta. "Lá nós verificamos que não era apenas uma picadinha. É uma estrada. De fato, foram derrubadas árvores, que a comunidade chama de pau-amarelo, usadas para a demarcação de terras". A assessoria de imprensa da ACS nega que esteja construindo a estrada e diz que se houve desmatamento na região, o consórcio não tem responsabilidade. Apesar de não ter data definida para ocorrer, representantes do governo, da ACS e defensores das comunidades quilombolas devem realizar uma reunião de conciliação. No encontro, serão discutidas ações para resolver o conflito em Alcântara.

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