Funcionários fazem 'protesto inaugural' em novo centro administrativo de MG

Diversas categorias de servidores pediram reajuste no local inaugurado dia 4 pelo governador Aécio Neves

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo,

16 de março de 2010 | 18h13

Categorias de funcionários públicos estaduais fizeram nesta terça-feira, 16, uma grande manifestação por reajustes salariais em Belo Horizonte, na Cidade Administrativa do governo mineiro. Foi o primeiro ato realizado no centro inaugurado pelo governador Aécio Neves (PSDB) no último dia 04. Um forte aparato policial foi montado para isolar o complexo de prédios.

 

O protesto foi organizado por sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Coordenação de Lutas (Conlutas), entre outros, reunindo principalmente servidores da educação, saúde e segurança pública. Os organizadores calcularam em três mil e a Polícia Militar entre 1,5 mil e dois mil o número de manifestantes.

 

Com apitos, faixas e bandeiras, os servidores fecharam uma das pistas da MG-10 no sentido Lagoa Santa-capital mineira e depois se concentraram em frente ao auditório do centro. Os manifestantes foram recebidos por esquema rígido de segurança. O conjunto de edificações - projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer - ficou protegido por um cordão de cerca de 400 policiais militares e grades de segurança. Eles circundaram a pista no entorno da nova sede administrativa. De acordo com o Batalhão de Eventos da PM não houve incidentes durante a manifestação.

 

A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) de Minas, Beatriz Cerqueira, acusou o governo estadual de pagar "o oitavo pior salário do País". A categoria ameaça entrar em greve. Outros protestos estão previstos para os próximos dias.

 

A Superintendência de Imprensa do governo mineiro divulgou nota na qual classificou o posicionamento dos manifestantes "como de natureza meramente política" e disse que as normas de segurança são para assegurar à sede oficial, a seus funcionários e ao patrimônio que abriga, "condições adequadas de funcionamento".

 

A administração estadual tem sido alvo de outras reivindicações. Os médicos do Pronto Socorro do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, entraram na terça-feira no segundo dia de paralisação. Os servidores ameaçam suspender totalmente os atendimentos da maior unidade de urgência e emergência do Estado.

 

"Revolução" 

 

Aécio não esteve na terça-feira no centro administrativo. Após uma visita à cidade de Pouso Alegre, o governador despachou no Palácio das Mangabeiras, residência oficial, onde recebeu a vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox. No sul de Minas, porém, ele sinalizou com a possibilidade de conceder reajuste funcionalismo antes de se desincompatibilizar do cargo.

 

"Nós estamos discutindo com a serenidade de sempre, no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e da capacidade financeira do Estado", afirmou. "Provavelmente na próxima semana eu tenha ainda condições de dar uma sinalização positiva para os servidores". Para o governador, sua administração foi a que mais respeitou os servidores. "Nós introduzimos uma verdadeira revolução na gestão pública em Minas Gerais, valorizando o desempenho, valorizando o mérito".

 

Na reta final de seu governo, Aécio encaminhou para a Assembleia Legislativa um verdadeiro pacote de benesses para o funcionalismo público estadual. Entre os projetos encaminhados pelo Executivo está uma proposta que dobra o prêmio pago por produtividade.

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