Funcionários do IBGE protestam contra declaração de Lula

Um dia após o presidente Lula ter contestado dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) realizada pelo IBGE, que revelou ser a obesidade um problema mais grave no País do que a desnutrição, dois funcionários do órgão fizeram um protesto em uma das unidades da instituição, solicitando uma defesa pública do trabalho desenvolvido pelo órgão. "A fome não é uma coisa medida em pesquisa, disse Lula."O que o presidente colocou é uma inverdade. Foi um fato lamentável que vai dificultar muito o nosso trabalho. Ele demonstrou um desconhecimento completo da pesquisa em questão e do IBGE. Gostaríamos que a direção defendesse a gente, pois nós nos sentimos indignados ", disse um agente de coleta identificado apenas como Valdetaro, apoiado pelo colega Alceu Alfredo Matubayashi, durante lançamento da pesquisa sobre registro civil. Embora tenha dito "entender perfeitamente" a posição dos dois funcionários, o coordenador de População e Indicadores Sociais do IBGE, Luiz Antonio Oliveira, afirmou que não poderia fazer qualquer declaração, já que pesquisa citada foi realizada por um setor que ele não coordena. Diante da insistência, seguiu-se uma discussão entre os dois agentes e o coordenador da assessoria de imprensa do órgão, que terminou com a saída de Valdetaro e de Alceu da sala de entrevistas.Mais tarde, o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, desautorizou o protesto e disse que encarou as declarações do presidente Lula com "absoluta tranqüilidade", já que ele diz ter certeza da seriedade e da confiabilidade dos resultados da pesquisa. No entanto, fez questão de lembrar que o levantamento foi realizado durante 12 meses, entre 2002 e o ano passado, por meio da visita a 48.470 domicílios espalhados por todo o País, com um orçamento de R$ 12 milhões.

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