Funcionários da TV pública entram em greve

Direção teria discriminado setores da antiga Radiobrás, dizem servidores

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

Funcionários concursados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a antiga Radiobrás, entraram em greve na tarde de ontem por reajuste salarial. O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal estima que 200 dos 1.200 empregados da empresa participam da paralisação, incluindo pessoal do programa de rádio Voz do Brasil, da Agência Brasil e de telejornais. Houve piquete na portaria da sede da empresa, em Brasília. A coordenação do movimento esperava a adesão dos funcionários de São Paulo e do Rio.Os grevistas reclamam que, durante o processo de criação da TV Pública, em 2007 e neste ano, a direção da empresa discriminou setores da antiga Radiobrás, garantindo a apenas uma parte melhores condições salariais e de trabalho. O movimento recrudesceu ontem à tarde, segundo funcionários, quando a direção da EBC divulgou internamente comunicado alertando os grevistas de possíveis sanções, como determinam o estatuto da empresa e as leis trabalhistas. "No entender desta presidência, a greve é intempestiva e intransigente, por ter sido decretada em meio às negociações do novo Plano de Cargos e Salários e da data-base das categorias", diz o texto, assinado por Tereza Cruvinel, diretora-presidente. "Esta presidência reforça aos diretores, gerentes-executivos, gerentes, coordenadores e chefes de unidades que o trabalho deve seguir normalmente." A direção afirma que não teve a oportunidade de encaminhar aos sindicatos uma contraproposta definitiva. A EBC argumenta que havia concordado em conceder reajuste mínimo de 7,1% a todos os funcionários e a prorrogação do atual acordo coletivo de trabalho. Os funcionários querem equiparação salarial de jornalista ao piso dos técnicos, que é de R$ 2.500. A EBC aceita pagar R$ 2.100.No final da tarde, a empresa divulgou uma nota em termos mais brandos. "Houve intransigência e incompreensão do relato sobre a reunião ocorrida hoje (ontem) entre os sindicatos e a direção da empresa, na qual foi assegurado que, com a implantação do plano de carreira não ficaria um só funcionário sem a garantia mínima de reposição de 7,1%, além dos demais benefícios oferecidos pelo novo plano de carreira, que traz incremento de até 42% nos pisos salariais." A direção disse esperar uma reconsideração para que as negociações prossigam nas próximas horas e seja possível concluir o acordo em curso.

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