Funcionários da Justiça são os mais bem pagos

Os funcionários do Poder Judiciário, que lotam gabinetes e corredores do Congresso em um forte lobby para aprovar um novo plano de carreira e engordar seus salários, já são os servidores públicos melhor remunerados do País. A remuneração média na Justiça, incluindo anuênios, vantagens pessoais e cargos comissionados alcançou, no ano passado, exatos R$ 5.565,00, o que representa cerca de 2,5 vezes o gasto com os servidores civis da União e, pela primeira vez, ultrapassa a média salarial dos servidores do Legislativo.Empenhados em montar uma ofensiva contra a aprovação dos dois projetos que reestruturam as carreiras do Judiciário, líderes aliados ao Palácio do Planalto colecionam números mostrando por que o choro dos lobistas não se justifica. Enquanto a folha de pessoal do Judiciário cresceu 188,8% nos sete anos de governo Fernando Henrique Cardoso, os salários no Legislativo dobraram e a despesa com o funcionalismo do Executivo aumentou 80,9%.Um líder governista conta que o salto na remuneração dos servidores da Justiça deve-se ao fato de a implantação do plano de carreira hoje em vigor ter sido concluída apenas em 2000. Depois disso, os servidores do Poder tiveram um reajuste de 11,98% no ano passado e mais 3,5% este ano. Estimativa encaminhada pela própria Justiça à Secretaria de Orçamento e Finanças no ano passado dá conta de que o impacto do novo plano de carreira será de R$ 3 bilhões. Mas, incluídos nos cálculos os Tribunais Superiores, a despesa pode dobrar, atingindo R$ 5,8 bilhões, sem que o Orçamento da União deste ano tenha previsto uma dotação orçamentária para cobri-la.Pelo projeto de lei 5314, o analista judiciário que recebe R$ 1.429,75 no início da carreira receberia um aumento de 179,40% , podendo chegar a R$ 6.447,60 no fim da carreira. Remuneração bem mais generosa do que a conferida a engenheiros do Executivo, que hoje recebem, no máximo, R$ 2 mil. A distorção nos salários dos servidores que desempenham funções equivalentes nos três Poderes já é tamanha, que o salário mais alto de um contínuo de um ministério não ultrapassa os R$ 639,00, enquanto o auxiliar judiciário, em fim de carreira, ganha hoje R$ 1.051,04. Se o novo plano de carreira for aprovado, a diferença será ainda mais gritante, pois o contínuo da Justiça, que ocupa o cargo de auxiliar judiciário, poderá encerrar a carreira recebendo R$ 2.311,34 mensais, salário quase quatro vezes superior ao do colega do Executivo.

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