Funcionário do Senado pode complicar defesa de Jader

O mais importante funcionário do Senado, o secretário-geral Raimundo Carreiro, acabou se transformando em testemunha-chave no processo que pode levar à cassação do presidente licenciado da casa, Jader Barbalho (PMDB-PA) por falta de decoro parlamentar. O motivo inicialmente cogitado seria abuso de poder. Mas, como Carreira reagiu, ao ser indiretamente acusado por Jader de ter segurado o pedido de informação ao Banco Central sobre o caso Banpará, Jader pode acabar acusado de perjúrio.O senador foi categórico no depoimento que prestou, na quarta-feira, à comissão de investigação do Conselho de Ética, ao negar que tenha que tenha retido o pedido. Ele alegou, entre outras coisas, que o ato de despachá-lo "é uma tarefa da secretaria-geral da Mesa". "Não tive absolutamente nenhum interesse em evitar a publicidade do assunto", assegurou. Quando o senador Jefferson Péres (PDT-AM) perguntou se não seria seu dever encaminhar o pedido, ele respondeu: "Tanto é do meu dever que requeri". Péres insiste: "mas (o requerimento) ficou em suas mãos?". Jader afirmou que não. "O que eu posso dizer é que, deliberadamente, não tive interesse em evitar (o envio do pedido)?, garantiu. Os fatos revelados pelo secretário-geral aos senadores da comissão são outros. Carreiro contou a eles que recebeu ordens de Jader para segurar o pedido porque queria anexá-lo a outras informações. Só no dia 22 de junho, após decisão dos líderes de endossar o pedido ao Banco Central, é que Jader o autorizou a encaminhá-lo à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os tais anexos que Jader havia anunciado não passavam de cópia do relatório do Banco Central de 1992 que, o senador acredita, inocenta-o, e de outros papéis que igualmente negam seu envolvimento no desvio de recursos do Banpará. Esse material está no seu site na Internet. Mais: a comissão de investigação descobriu que, na relação da CCJ sobre o andamento das matérias, o pedido ao Banco Central aparece como tendo se extraviado durante os 119 dias em que ficou desaparecido. Para o senador Jefferson Péres, os fatos mostram que Jader Barbalho agiu em proveito próprio, ao impedir o andamento das investigações sobre a sua conduta. Ele lembrou que Jader não tinha nem mesmo motivos regimentais que o levassem a se interessar pelo pedido ao BC. Foi o então vice-presidente do Senado, Edison Lobão (PFL-MA), quem presidia a sessão quando foi lido o requerimento de Dutra.

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