Funcionário da P-34 teve de fugir a nado

Pelo menos 30 dos 76 operadores que trabalhavam no navio-petroleiro P-34, que adernou na Bacia de Campos, a 80 quilômetros da costa, se jogaram ao mar e tiveram de nadar por cerca de 40 minutos até o navio rebocador mais próximo, que os levou ao continente, segundo relato de um dos funcionários. O operador de produção Moisés Cardoso, de 39 anos, contou, ao deixar o Hospital da Irmandade de São João Batista de Macaé, onde esteve internado com princípio de hipotermia, que apenas uma das duas baleeiras usadas em situações de emergência pôde ser lançada ao mar, devido à inclinação do navio, levando 46 pessoas.Ele disse que os petroleiros ainda chegaram a jogar um bote inflável para tentar ajudar no transporte até o rebocador. "Fui um dos últimos a descer. Eu tinha acabado de acordar e estava indo para o banho quando ouvi o alarme e senti que estávamos adernando. O gerente anunciou e começamos os procedimentos. Quando saímos, o navio estava com 28 graus de inclinação para a esquerda. Era impossível andar no convés. Nadamos 40 minutos até o rebocador. Só se conseguiu lançar uma balsa, mas não cabia todo mundo. Quem conseguiu entrar no bote se afastou, por medo do naufrágio do navio", disse.O operador contou que o navio estava sem energia, em razão de uma pane no sistema de controle e, segundo ele, o adernamento ocorreu rapidamente, em cerca de 30 minutos."Eu nadei até o rebocador, o mar estava muito agitado e o clima era de apreensão. Todo mundo estava nervoso", disse Cardoso, que trabalha há 20 anos na Petrobras e há 13, em plataformas. Ele passou a madrugada internado, com muitas dores no corpo, principalmente no peito, e cãibras. "Acho que foi estado de choque por tudo o que passei."Segundo ele, todos os funcionários usavam coletes salva-vidas. O operador disse que funcionários ainda conseguiram fechar alguns tanques do navio, mas isso não impediu o adernamento. De acordo com ele, o navio tombou porque após a pane elétrica as válvulas dos tanques se abriram e o óleo migrou pelas tubulações de um lado para o outro, concentrando-se no lado esquerdo da embarcação.Ele confirmou a denúncia feita pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, de que, em 29 de maio, teria ocorrido problema semelhante no gerador de energia do navio. "Foi uma situação parecida, mas não houve adernamento", disse Cardoso, que contou ainda que, dois dias antes do acidente de domingo, os tanques haviam sido descarregados, restando apenas cerca de cinco mil metros cúbicos de óleo (a capacidade total de armazenamento do P-34 é de 45,5 mil metros cúbicos de óleo). Ele calcula que, como a produção diária é de cerca de cinco mil metros cúbicos, o navio estivesse com cerca de 15 mil metros cúbicos no domingo - a Petrobras informou que o petroleiro carrega 11 mil metros cúbicos de óleo.Cardoso contou que conhecia cinco dos 11 petroleiros que morreram no acidente com a P-36, no ano passado. Ele, que mora na Bahia, estava embarcado havia 13 dias na P-34. O acidente aconteceu na véspera do dia em que Cardoso completaria o seu período de trabalho em alto-mar (14 dias) e teria direito a descansar junto com a família. Veja o especial sobre a P-34

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