Funcionária do Incra está entre presos da Operação Lacraia

A funcionária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Ailda de Deus Silva está entre os presos da Operação Lacraia, realizada pela Polícia Federal nesta sexta-feira, 20, em Barra do Garças (MT). A PF desarticulou o núcleo de uma quadrilha acusada de fraudar a compra e venda ilegal de terras em todo o País há dez anos.Além de Ailda, foi presa - com mais 31 pessoas - a dona do Cartório de 1º. Ofício de Registro de Imóveis, Notas e Protestos da cidade, Helena da Costa Jaracandá, acusada de chefiar o esquema. A PF cumpre ainda 38 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso. Todos os presos estão com os bens indisponíveis e foram levados para a cadeia pública da cidade, distante 500 quilômetros de Cuiabá. Centenas de pessoas estão envolvidas neste tipo de fraude de grilagem de terras da União, crime contra o sistema financeiro e corrupção em vários Estados, informou o delegado responsável pela operação, Eder Magalhães.De acordo com o delegado, o grupo que foi preso falsificava e forjava registros e títulos de propriedades rurais, que posteriormente eram usados na obtenção de empréstimos e financiamentos bancários. "Eles criavam documentos de terras inexistentes. Foi preso apenas o núcleo da quadrilha", disse o delegado, que vai pedir à Justiça dezenas de mandados de prisão, com base nas investigações iniciadas há nove meses.FraudePelo esquema, Ailda de Deus era procurada por integrantes da quadrilha para expedir o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR). Este é um documento fornecido gratuitamente pelo Incra aos proprietários de imóveis rurais cadastrados no Sistema Nacional de Cadastro Rural.Sem esse certificado, não é possível desmembrar, arrendar, hipotecar, vender ou prometer em venda os imóveis rurais, sob pena de nulidade. "Ela falsificava esse documento convertendo área improdutiva em produtiva para obter financiamentos", explicou o delegado.Em seguida, com a participação da dona do cartório de Barra do Garças, a quadrilha alterava documentos originais, montava registros falsos e duplicava lavraturas. Os fraudadores também utilizavam scanners para copiar assinaturas de terceiros nos documentos que estavam sendo manipulados. Depois de prontos, os papéis eram envelhecidos em fornos microondas, que acabaram substituindo a velha técnica que utilizava caixas com grilos (razão do termo grilagem de terras). "Esse cartório de Barra do Garças era conhecido e procurado por gente de todo o País interessado nesse tipo de fraude", disse o delegado, informando, que a proprietária, Helena da Costa Jacarandá, tentava assegurar na Justiça o direito da sua família para comandar o cartório.Com as escrituras em mãos - em sua maioria eram de propriedade da União ou não existiam fisicamente - a quadrilha negociava cada documento por R$ 5 mil, podendo em alguns casos chegar ao valor de R$ 40 mil. Os pagamentos eram feitos através de depósitos em contas de laranjas, com a finalidade de dificultar o rastreio, concluíram as investigações. Procuradas pelo Estado, as famílias dos donos de cartórios em Barra do Garças e Baliza (MT) não quiseram falar sobre o assunto.

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