Função da imprensa é divulgar, não investigar, afirma Dilma

Função da imprensa é divulgar, não investigar, afirma Dilma

Presidente criticou o vazamento de informações da delação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, e afirmou que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir depoimento

Ricardo Della Coletta e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 16h06



Atualizada às 21h05

Brasília - A presidente Dilma Rousseff reagiu com exasperação nesta sexta-feira, 19, em Brasília aos novos vazamentos de trechos dos depoimentos à Justiça do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, delator de suposto esquema de pagamento de propina na estatal. Após ver a Procuradoria-Geral da República lhe negar acesso ao conteúdo das declarações do ex-dirigente, a presidente disse que vai pedir ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, o compartilhamento das informações. “Quero ser informada se no governo tem alguém envolvido”, disse Dilma, que criticou o fato de detalhes dos depoimentos - inclusive nomes de envolvidos - terem “vazado” para os meios de comunicação.

Nesta quinta-feira, 18, o Jornal Nacional, da TV Globo, revelou que Costa teria admitido à Justiça o recebimento de R$ 1,5 milhão em propina na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), a operação resultou em um prejuízo de US$ 792,3 milhões para a Petrobrás.

Questionada sobre o tema, Dilma respondeu com irritação e argumentou que só pode confiar em informações oficiais: “Disse pra quem? Se você me disser para quem ele disse, quem disse e como é que disse, eu te respondo. Caso contrário (não tem como responder)...”. 

“Eu não reconheço na imprensa o status que tem a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo (Tribunal Federal). Não é função da imprensa fazer a investigação; a função é divulgar”, disse a presidente.

Delação premiada. Desde o dia 29 de agosto, Paulo Roberto Costa está prestando uma série de depoimentos em um acordo de delação premiada no qual tem revelado suspeitas de crimes de pagamento de propina a dezenas de políticos, inclusive do PMDB e do PT, os dois principais integrantes da base aliada.

O caso corre em segredo de Justiça, mas alguns nomes começaram a ser veiculados em reportagens como tendo sido citados pelo delator. Dentre eles, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB); os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); os senadores do PP Ciro Nogueira (PI) e Francisco Dornelles (RJ); o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ); os governadores do Ceará, Cid Gomes (PROS), do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); e os ex-governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), morto em acidente aéreo no mês passado, além do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto.

Todos os supracitados negam as acusações e envolvimento com o ex-diretor. 

Sem ação. “Quando sai uma denúncia na (revista) Veja, ou em qualquer outro jornal, eu não tomo nenhuma medida porque sou presidente da República. Não tomo medida baseada no ‘diz que disse’”, afirmou Dilma. “Não é possível que a Veja saiba de uma coisa e o governo não saiba quem está envolvido.”

De acordo com a presidente, a veiculação de informações sigilosas compromete as provas das investigações. “Aí você investiga, o Ministério Público denuncia e não pode ser condenado porque a prova ficou comprometida”, disse Dilma.

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