Funasa e Prefeitura carioca já se desentendem

No dia do lançamento da megaoperação contra a dengue no Rio, a Fundação Nacional da Saúde continuou a ter problemas com a Prefeitura do Rio.A Funasa discorda do cronograma de trabalho da prefeitura para os 1.044 agentes que vieram de outros Estados para barrar a epidemia e quer que os agentes tenham apenas uma folga semanal, mantendo as visitas aos domicílios mesmo no carnaval, mas o município defende que, durante os dias de festa, os agentes façam o combate ao mosquito apenas dentro dos quartéis, onde estão hospedados.ReuniãoO presidente da Funasa, Mauro Costa, disse, nesta segunda-feira, que já marcou uma reunião com o secretário da Saúde, Ronaldo Cézar Coelho, para discutir o assunto. "Nós dependemos deles porque essa é uma operação conjunta, e são eles que estão organizando tudo. Entre amanhã e depois (terça ou quarta) vou pedir ao secretário que nos ajude a não interromper o trabalho durante o carnaval", afirmou Costa.Nesta segunda, o órgão do Ministério da Saúde apresentou 500 agentes de saúde em uma cerimônia na Vila Militar. Eles são parte dos 1.044 funcionários da Funasa que chegaram à cidade no último fim-de-semana para ajudar a conter a epidemia de dengue.Até esta segunda-feira, só a cidade do Rio registrou 5.387 casos da doença. Destes, 97 pessoas tiveram o tipo mais perigoso da dengue, o hemorrágico, e pelo menos cinco pessoas morreram. "Tenho certeza de que temos condições de reverter o surto, se essa ação conjunta funcionar", analisou Costa.Bairros mais afetadosDurante pelo menos 90 dias, os agentes da Funasa vão circular pelos domicílios da cidade e de vários municípios do Estado. O agente será responsável por localizar focos, aplicar larvicida e ensinar ao morador como combater o mosquito no futuro.Nesta semana, os agentes da Funasa se concentram em 45 bairros mais afetados da cidade e em sete municípios vizinhos, a maioria na Baixada Fluminense. A operação tem o apoio do Exército, que envolveu cerca de 500 soldados e será responsável por transportar, alimentar e alojar os agentes.TuristasO carnaval é motivo de muita preocupação para a Funasa porque o grande número de pessoas de outros Estados que visitam o Rio pode ajudar a espalhar o vírus tipo 3. Notificado apenas no Rio e em Roraima, o tipo 3 é uma ameaça porque, como é novo no País, a grande maioria da população ainda está suscetível e pode contrair a doença.Sabendo disso, a própria Secretaria de Turismo chegou a aconselhar, no seu site da internet, que os turistas usem repelente três vezes ao dia enquanto estiverem na cidade. Mauro Blanco, coordenador de Combate à Dengue da Secretaria Municipal da Saúde, disse nesta segunda-feira que as áreas onde circulam turistas (a zona sul do Rio) não são as que apresentam mais risco.Segundo ele, nesta semana a secretaria vai combater todos os focos de mosquito no Sambódromo. Os bairros próximos do Sambódromo, no entanto, estão entre os mais infestados pelo mosquito e os que mais registram casos da doença.ProtestosAntes mesmo de a maioria dos agentes entrar em ação (nesta segunda, apenas 400 dos 1.044 começaram a trabalhar), os funcionários da Funasa já protestaram contra a direção do órgão. Eles reclamaram que, dos R$ 103 que estão recebendo para viajar para o Rio, R$ 25 serão descontados compulsoriamente para pagar as despesas no Exército. "Eles acertaram com a gente R$ 103 por dia e agora estão descontando R$ 25", reclamou José Antônio Alves, um agente que veio de Minas Gerais.O presidente da Funasa explicou que os descontos dos R$ 25 são necessários para cobrir as despesas dos agentes com alimentação, transporte e alojamento no Exército. "Se estivessem em seus Estados, teriam que pagar alimentação, transporte e alojamento. O mesmo acontece aqui."

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