Funasa diz que cumpriu exigência de índios para libertar reféns

O coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Amapá, Abelardo Junior, disse que no mais tardar os nove funcionários da Funasa serão liberados na quinta-feira. Eles estão mantidos como reféns desde segunda-feira na aldeia do Manga, no município de Oiapoque, a 600 quilômetros da capital Macapá."O convênio entre a Funasa e a Associação dos Povos Indígenas do Tumucumaque, no valor de R$ 3,1 milhões foi assinado no final da tarde de terça-feira e a primeira parcela (R$ 1,6 milhão) deverá ser liberada hoje, sendo assim, os nossos funcionários serão liberados", disse Junior.Entre os reféns estão o assessor de comunicação da Funasa, jornalista Cléber Soares, diretores de departamentos, motoristas e cozinheiras.Em manifesto lançado na terça-feira por 33 aldeias das etnias Galibi, Palikur, Galibi-Marworno e Karipuna, os povos indígenas asseguram que só vão liberar os funcionários quando todas as suas reivindicações forem atendidas. E a assinatura do convênio é apenas uma delas.ReivindicaçõesEntre as outras reivindicações estão a imediata exoneração de Abelardo Junior do cargo de coordenador regional da Funasa, alegando que ele não tem compromisso com a população indígena do Amapá e a substituição do gestor do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Amapá e Norte do Pará, e que o próximo gestor seja escolhido em comum acordo com os povos indígenas.No manifesto, eles dizem que não vão generalizar as críticas porque reconhecem que a Funasa tem profissionais competentes que executam suas funções com dignidade e respeito aos povos indígenas. "Todavia, com a crescente influência da partidarização deste órgão, surgem diversas situações de total descaso e desrespeito nas ações de assistência básica à saúde dos povos indígenas", dizem. O coordenador da Funasa no Amapá é uma indicação do PMDB.No Oiapoque existem 33 aldeias, com uma população em torno de seis mil índios das etnias Galibi, Palikur, Galibi-Marworno e Karipuna, que habitam as terras denominadas Uaçá, Galiby e Juminã. A aldeia do Manga, dos índios karipunas, onde os funcionários da Funasa estão mantidos como reféns, se tornou a mais conhecida da região desde que recebeu a visita, em abril de 1996, de Danielle Mitterand, viúva do ex-presidente francês François Mitterand. Danielle esteve na aldeia para manifestar seu apoio ao processo de demarcação das terras indígenas.

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