André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Funaro cita 'meta de propina' do presidente da Caixa para o PP

Em vídeos do acordo de delação, corretor financeiro fala de um 'valor x' ao partido com recursos do banco estatal

O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2017 | 22h29

BRASÍLIA - A colaboração premiada do corretor financeiro Lúcio Funaro, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (ST), traz detalhes do suposto esquema de pagamento de propinas ao Partido Progressista (PP), com recursos desviados da Caixa Econômica Federal. Em depoimento ao Ministério Público, Funaro acusou o atual presidente da Caixa, Gilberto Occhi, de desviar recursos para o partido.

Na época, ainda no governo de Dilma Rousseff, Occhi ocupava a vice-presidência de governo do banco estatal. Funaro afirmou no depoimento, conforme reportagem do Jornal Nacional, que foi informado por um empresário que Occhi teria uma meta de repasse de propina para cumprir. “Sabia até que tinha uma meta do Gilberto Occhi, de produzir um valor x por mês”, disse Funaro, em um dos vídeos do depoimento prestado ao Ministério Público. No entanto, ele não soube dizer qual era o valor da meta.

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“Qualquer verba da Caixa para sair, tudo quanto é verba do governo, tinha que passar pela diretoria dele. Tinha que passar na vice-presidência dele”, disse Funaro, em relação à atuação de Occhi. “E ele tinha uma meta, que não sei de quanto era. Meta de propina”, reforçou. 

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Em resposta ao telejornal, Occhi desmentiu veementemente o que foi dito por Funaro. O atual presidente da Caixa afirmou que nunca pediu nada a ninguém e que sua carreira sempre foi pautada pelo respeito à ética e à lei.

Já a Caixa informou que está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações. O telejornal não obteve resposta do PP.

MULTA

Em seu acordo de colaboração premiada, Funaro se comprometeu a pagar uma multa R$ 45 milhões e a cumprir dois anos de prisão em regime fechado. A pena ao todo tem 30 anos e deverá ser cumprida uma parte em prisão domiciliar, uma parte por meio da prestação de serviços à comunidade e outra parcela com a realização de estudos. Essas atividades poderão reduzir ainda mais a pena.

Nos depoimentos ao Ministério Público, além de acusar o atual presidente da Caixa, Funaro afirmou que o presidente da República, Michel Temer, dividiu com Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-homem forte de seu governo, propina da Odebrecht. Nos anexos de sua colaboração, ele afirmou ter buscado R$ 1 milhão em espécie, supostamente pago pela empreiteira, no escritório do advogado e ex-deputado José Yunes, amigo de Temer. Relatou também ter mandado a quantia para Geddel, na Bahia.

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Em nota divulgada neste sábado, 14, o advogado de Temer, Eduardo Pizarro Carnelós, atacou o vazamento "criminoso" dos vídeos com depoimentos de Funaro. E classificou a divulgação da fala do delator como "mais um abjeto golpe ao Estado Democrático de Direito". O advogado disse que as afirmações do "desqualificado delator" são "acusações vazias", sem provas e baseadas no que ele diz ter ouvido do ex-deputado Eduardo Cunha, "que ele já desmentiu de forma inequívoca", assim como o fizeram outras pessoas mencionadas pelo delator.

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