Funai diz que índios serão despejados de fazenda no MS

Armados de espingardas, foices, facões, arcos e flechas, os índios que invadiram na segunda-feira a fazenda Porto Lindo, com 1.000 hectares no município de Dourados, no Mato Grosso do Sul, afirmaram hoje que resistirão a qualquer tentativa de despejo. São 380 famílias comandadas pelo cacique Carlito Oliveira, que viviam em barracas de lona plástica fora das aldeias. No final da tarde, o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, afirmou que "infelizmente os índios terão de deixar o imóvel ou serão despejados".Ele disse que a fazenda não está e nunca esteve nos planos da Funai. "Até que provem o contrário, a fazenda é do fazendeiro e não dos índios". Ele recomendou aos índios paciência até que todas as terras indígenas situadas em Mato Grosso do Sul sejam identificadas e demarcadas. "Já existe um grupo de trabalho atuando nesse sentido, e em breve teremos um levantamento completo dessas áreas".Membros do Ministério Público Federal e da Funai de Dourados estão negociando uma saída pacífica. Os índios alegam não ter mais para onde ir. As 380 famílias viviam na aldeia Bororó, dentro do perímetro urbano de Dourados. Por desentendimento com o cacique Ramão Machado, Cacique acabou sendo expulso, juntamente com outros 50 índios. Nos cinco anos que está fora da aldeia, conseguiu adesões de índios kaiowás e terenas, formando o grupo atual.

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