Funai apura aliciamento de índios

Campo Grande Mais de 500 índios terena e outros 300 guarani-caiová que vivem nas aldeias dos municípios de Aquidauana e Miranda no Pantanal de Mato Grosso do Sul estão trabalhando em condições precárias em usinas de álcool da região de Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo. "Eles foram aliciados em suas aldeias por "gatos" (pessoas que contratam trabalhadores rurais) de São Paulo, sob a promessa de ótimos salários, boa alimentação e alojamento confortável", afirmou o superintendente regional da Funai, Márcio Justino.O superintendente irá nesta sexta-feira a Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo, onde vai acompanhar o trabalho dos fiscais do trabalho nas usinas.O superintendente explicou que tem informações da Procuradoria Regional do Trabalho de Campinas que está investigando a situação dos indígenas contratados para cortar cana-de-açúcar. A procuradoria iniciou a fiscalização com base em denúncias feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sertãozinho (SP).Os fiscais já inspecionaram as usinas Santa Fani, Nova União e Santa Maria Agrícola, onde encontraram índios dormindo em condições precárias, trabalhando sem equipamentos de segurança e com uma série de irregularidades nos pagamentos dos serviços que prestam. Nessas empresas foram localizados 300 índios terena.Entretanto, Justino acredita que segundo cálculos dos caciques das respectivas nações indígenas, mais de 800 índios foram tirados das aldeias e levados para as usinas paulistas. "Os aliciadores ofereceram o dobro dos salários pagos aos índios pelos usineiros de Mato Grosso do Sul. Infelizmente parece que essa oferta não é verdade, e além disso existem os maus-tratos nos locais de trabalho, principalmente em relação aos alojamentos e à alimentação", disse.

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