Fui vítima de uma armação de Kassab, afirma Kátia Abreu

Senadora, contrária à intervenção no diretório do PSD em Belo Horizonte, diz que prefeito paulistano não abriu brechas para discutir o assunto em reunião da Executiva do partido

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h10

BRASÍLIA - Voto solitário na reunião da executiva nacional do PSD que referendou a intervenção do presidente do partido e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em Belo Horizonte, a vice-presidente da legenda e senadora Kátia Abreu não se rende nem se sente derrotada. Em entrevista ao Estado, ela diz que quem defende princípios não sofre derrota. Afirma ainda que foi vítima de uma armação política por parte do prefeito.

Ficar sozinha contra a intervenção em BH a incomodou?

Eu não sabia que o tema da reunião era este. Estranhei muito em pleno recesso, um telegrama me convocando para uma reunião no dia seguinte. Essas coisas tem que ser decididas à luz do sol. O momento foi inadequado e o quórum foi baixo.

Mas a pauta falava em eleições de 2012.

Assunto de intervenção é específico. Não pode entrar na pauta encoberto. Teve um momento que um deputado de Minas Gerais que estava presente chegou a propor até que se suspendesse a reunião por meia hora. Mas Kassab não deu brecha. Disse que o advogado do partido acertou todas até agora, e propôs o voto imediato no relatório do caso, aprovado pelo advogado. E assim foi feito, com meu voto contrário.

A senhora acha que foi vítima de uma armação política?

Fui, porque o Kassab sabia que eu tinha feito uma pequena cirurgia e teria dificuldades para ir. Ele achou que eu não fosse à reunião. Fui para não mostrar má vontade e levei um choque. Foi o referendo dos aflitos, mas isto não vai colar na Justiça. A intervenção foi antidemocrática, autoritária e, principalmente, contrária ao estatuto do partido.

Foi uma derrota pessoal?

Não existe derrota quando se defende princípios como eu defendi. Até propus: 'Por favor, vamos parar tudo e reconvocar a executiva abertamente. Vamos deixar que os meninos, que estão em BH sem saber de nada, venham aqui se defender. A derrota jurídica nós já tivemos'. Mas ele não aceitou.

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