'Fui vítima de escuta ilegal', diz Dantas à CPI

O banqueiro do Grupo Opportunity Daniel Dantas disse hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, na Câmara, que se considera uma "vítima" de adulterações de gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) na Operação Satiagraha. "As gravações foram mutiladas. Há enxerto e, segundo informações que temos, os originais estão desaparecidos", afirmou. "Eu fui vítima de escuta ilegal pela estrutura coordenada pelo delegado Protógenes Queiroz. Não sei se a estrutura usada foi a da Polícia Federal ou da Abin (Agência Brasileira de Inteligência)", afirmou.

ANA PAULA SCINOCCA, Agencia Estado

16 de abril de 2009 | 13h09

O empresário disse ainda que o delegado que comandou a Satiagraha grampeou "todos os seus telefones" com e sem autorização judicial e com envolvimento de "centenas de agentes, inclusive privados". "Agora, ele (Protógenes) está querendo se colocar como vítima. Nós nunca monitoramos ele. Nem tínhamos sequer conhecimento e noção de sua existência."

Segundo Dantas, Protógenes apreendeu em sua residência um armário com uma série de discos rígidos e arquivos pessoais. "Como eu havia sido vítima de interceptações, eu criptografei todos os meus arquivos. Ele (Protógenes), então, faz uma celeuma, como criptografia das estrelas", afirmou.

Dantas acusou Protógenes de repassar a seus concorrentes parte do material aprendido. O banqueiro está depondo hoje pela segunda vez na CPI. O primeiro depoimento foi feito em agosto passado. O sócio-fundador do Grupo Opportunity está munido de habeas-corpus que lhe garante o direito de ficar calado para evitar que se autoincrimine.

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