Fruet (PDT) faz primeiro encontro com o PT sobre campanha em Curitiba

Político deve ser questionado sobre críticas que fazia ao PT quando era deputado pelo PSDB

Evandro Fadel, da Agência Estado,

02 Maio 2012 | 18h18

CURITIBA - O pré-candidato do PDT à prefeitura de Curitiba, Gustavo Fruet, fez a primeira reunião nesta quarta-feira, 2, com o diretório municipal do PT, partido com o qual decidiu se aliar para as eleições deste ano e que deve apresentar o vice na chapa. No entanto, Fruet sabe de antemão que enfrentará questionamentos sobre as críticas ferrenhas que fazia ao PT e ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando era deputado federal pelo PSDB e integrou as CPIs dos Correios e do Mensalão. "Eu não renego essa história", acentuou. "Mas a aliança se dá em pontos de convergência e aqui há muito mais pontos de unidade, temos mais pontos de encontro que desencontro."

Fruet disse que nunca combateu institucionalmente o PT. "Não foi contra o PT, foi contra a corrupção; o combate à corrupção não tem partido e deveria unir as pessoas", destacou. "Acredito que há legitimidade numa aliança como essa, até porque se tivesse agido de forma irresponsável seguramente o PT jamais teria aberto esse diálogo." Ele fez questão de acentuar que, na CPMI dos Correios, apresentou a relação de contratos realizados pelo publicitário Marcos Valério. "Destaquei que os primeiros contratos que ele tinha no governo foram com o PSDB, do então governador Eduardo Azeredo, que era presidente nacional do partido", afirmou. Segundo ele, não houve cobrança nem por essa postura e nem pela que tomou ao criticar o governo Lula na CPI do Mensalão.

Nas eleições realizadas pelo PT para definição de delegados ao encontro municipal, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, havia dito que o ex-presidente Lula gostaria de ter uma conversa com Fruet, em razão das divergências do passado. "De minha parte, não há (mal-estar)", disse o pré-candidato. "Mas não houve nenhuma conversa e isso ainda não foi colocado na pauta de diálogo." Segundo ele, as comissões parlamentares foram benéficas, porque fizeram com que a presidente Dilma Rousseff, à época ministra, passasse a ter "posição maior" no governo.

Apesar de saber que essas questões nacionais serão retomadas na campanha, Fruet disse acreditar que não será isso que pautará o debate. "Sempre vai ter um eleitor de opinião, também preocupado com a questão estadual e nacional, mas fiz uma opção e só tem sentido participar com o olhar na eleição de Curitiba", afirmou. Por isso, ele pretende comparar as questões envolvendo o mensalão com as que agitam a Câmara Municipal de Curitiba, em que o ex-presidente João Cláudio Derosso (PSDB) é acusado de fraude em licitação para agências publicitárias.

"O Marcos Valério foi investigado por R$ 55 milhões com agências de publicidade e a Câmara de Vereadores tem contrato de R$ 34 milhões com duas agências. Qual a diferença? São faces da mesma moeda", reforçou. O objetivo é atingir a pré-candidatura do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), que tem o apoio do PSDB, do governador Beto Richa. "Veja a que ponto virou a política brasileira, nós estamos muito mais em uma agenda criminal que numa agenda política", lamentou. Além de Fruet e Ducci, já se declararam pré-candidatos nas eleições de Curitiba o deputado federal Carlos Roberto Massa Júnior, o Ratinho Júnior (PSC), e o ex-prefeito e ex-deputado federal Rafael Greca (PMDB).

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