Fruet diz que sua candidatura representa renovação

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), primeiro candidato a discursar na sessão de eleição da presidência da Câmara, ressaltou que sua candidatura nasceu de um descontentamento com os rumos que o País e a Casa tomaram nos últimos anos. Segundo ele, o grupo que o apóia quer lutar contra a negação da Câmara, e, se eleito, pretende ajudar a recuperar a liderança do Legislativo na discussão dos temas nacionais. "Os deputados precisam sair de cabeça erguida, e não ter de ficar respondendo a todo tipo de crítica que vem abalando a legitimidade da representação popular", destacou. Entre suas propostas, Fruet ressaltou a necessidade de mudanças na Comissão Mista de Orçamento, com maior participação dos deputados, e efetividade das emendas parlamentares em relação à execução. Ele também destacou a edição de medidas provisórias como principal problema a ser enfrentado. Em suas contas, mais de 70% das sessões estiveram trancadas por MPs, e em somente 24 sessões em 2006 houve quórum para votações. Fruet propôs a criação de uma comissão permanente de acompanhamento de propostas do Legislativo, para recuperar o poder da Câmara de propor leis e projetos para o País. Fruet começou seu discurso agradecendo aos deputados a lembrança de seu pai como deputado federal. Ele chegou à Câmara após assumir a candidatura de seu pai, Maurício Fruet, que morreu dois meses antes do pleito no Estado. "Aprendi nessas duas semanas (da campanha da eleição da Câmara) a imagem de respeito e amizade que ele deixou. Esse voto de confiança me anima a disputar a Presidência da Câmara dos Deputados", afirmou. Independência Para Fruet, qualquer que seja o presidente eleito deve reunir-se com as lideranças partidárias para definir qual será a postura em relação ao governo, que, em sua opinião, deve ser de autonomia, e, quando necessário, de resistência. Ele reforçou que sua candidatura não é de protesto, mas propositiva. Fruet agradeceu a todos os que o apoiaram, destacando que, na legislatura anterior, o Parlamento votou matérias importantes com a ajuda dos partidos da oposição, como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. "Ao presidente também cabe, por vezes, essa posição de combate, seja com o Executivo ou com outros órgãos da sociedade. E esse olhar crítico tem de ocorrer para que a Câmara possa ser um espaço de superação", afirmou. Fruet destacou que, pela primeira vez, houve um debate público sobre a disputa pela Presidência da Casa. "Minha candidatura trouxe uma mudança na agenda da campanha, trazendo a controvérsia e o debate", disse. Ele também lembrou que a função do Parlamento não é só fazer leis, mas boas leis e políticas públicas. Ele questionou a quem interessa que o Congresso viva com constantes crises. "Não fomos anistiados pelas urnas, e caberá ao presidente ter uma palavra de respeito à autonomia de atuação de cada deputado", ressaltou.

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