Fronteira fará combate à exploração infantil

Os municípios de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad del Este, no Paraguai, receberão cerca de US$ 520 mil para implantar dois centros de referência no combate e na recuperação de crianças e adolescentes entregues à exploração sexual e comercial. A constituição dos centros faz parte do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (Ipec), que prevê investimento total de US$ 2 milhões, no prazo de três anos, para a fronteira do Brasil com o Paraguai. Segundo representantes do Ipec, que estão participando de um seminário em Ciudad del Este, os recursos serão repassados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Desde o final do ano passado, comitês do Ipec no Paraguai e no Brasil vinham levantando informações sobre o trabalho infantil na região. Uma das constatações é de que os problemas são idênticos e que os adolescentes que vivem nas ruas normalmente ficam expostos à prostituição.O levantamento mostrou que aproximadamente 600 crianças e adolescentes, entre 8 e 17 anos, estão sendo exploradas sexualmente na fronteira. "Este número pode ser bem maior, tendo em vista que não conseguimos nos aproximar de bares, hotéis e bordéis", disse a coordenadora do Ipec no Brasil, Suely Ruiz. "As pessoas que tentam colher informações recebem ameaças." Segundo ela, as crianças são vítimas dessa situação. "Os reais infratores, os exploradores, esses sim devem ter penas mais duras e mais significativas."Em Foz do Iguaçu, 65% das crianças que são exploradas sexualmente freqüentam ou freqüentaram a escola até a quinta série. Por isso, os estabelecimentos de ensino e outras entidades da sociedade civil deverão ser envolvidos no trabalho. Em Ciudad del Este, constatou-se que a maioria das crianças foram induzidas por amigos, namorados ou pessoas próximas. O trabalho de erradicação de combate à exploração sexual e comercial de crianças e adolescentes em uma área de fronteira, com a participação de mais de um país, é inédito no mundo.

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