Frigorífico nega irregularidades sobre infração esquecida

Em nota, Grupo Bertin diz que vai recorrer de multa de R$ 3 milhões por considerá-la injusta

Rodrigo Rangel, de O Estado de S. Paulo,

31 de maio de 2009 | 07h32

Em nota enviada ao Estado, o Grupo Bertin S/A afirmou que nunca recebeu proposta do Ibama para comprar os "bois piratas" em troca da suspensão da multa. No texto, o grupo informou que, agora que o auto de infração se transformou em processo, seu corpo jurídico está recorrendo administrativamente da multa, por considerá-la injusta: "A empresa informa que já apresentou a defesa administrativa do caso e que espera que seja considerada procedente, já que não praticou nenhuma irregularidade."

 

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O frigorífico também nega que utilize madeira ilegal em suas atividades. "Aproveitamos para esclarecer os procedimentos de nosso processo de compra: adquirimos briquetes e cavaco (tipos de lenha) somente certificados pelo Ibama e pelos respectivos Estados. As unidades compradoras de madeira são autorizadas através da Seprof (Secretaria de Extrativismo e Produção Familiar)."

 

Na sexta-feira à noite, o Estado localizou em Marabá a funcionária terceirizada que o Ibama acusa de ter engavetado a multa contra o Bertin. Por telefone, ela disse estranhar a acusação. "Eu não tô sabendo disso, não. Se comentaram isso com você, foi um comentário maldoso", afirmou, em conversa gravada.

 

Luciano Evaristo, o diretor que apontou a funcionária como responsável pelo "sumiço" da multa, disse inicialmente que a gerência do Ibama em Marabá havia adotado providências administrativas contra Cleonice. Após consultar o gerente do órgão na cidade, porém, voltou atrás. "A funcionária não foi punida porque a chefia conclui que não foi por má-fé que ela deixou o auto de infração na gaveta".

 

Sobre o fato de se tratar de justamente uma multa contra o frigorífico que comprou os bois piratas, disse "que foi extrema coincidência". Evaristo aponta outras duas multas recentes contra o Bertin como prova de que o frigorífico não é protegido. Os valores dessas multas são bem inferiores à que ficou na gaveta - somam cerca de R$ 430 mil. O Estado tentou localizar o ministro Carlos Minc na sexta-feira e no sábado, mas não obteve retorno.

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