Frigorífico nega irregularidades

Em nota, Grupo Bertin diz que vai recorrer de multa

, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Em nota enviada ao Estado, o Grupo Bertin S/A afirmou que nunca recebeu proposta do Ibama para comprar os "bois piratas" em troca da suspensão da multa. No texto, o grupo informou que, agora que o auto de infração se transformou em processo, seu corpo jurídico está recorrendo administrativamente da multa, por considerá-la injusta. "A empresa informa que já apresentou a defesa administrativa do caso e que espera que seja considerada procedente, já que não praticou nenhuma irregularidade."O frigorífico também nega que utilize madeira ilegal em suas atividades. "Aproveitamos para esclarecer os procedimentos de nosso processo de compra: adquirimos briquetes e cavaco (tipos de lenha) somente certificados pelo Ibama e pelos respectivos Estados. As unidades compradoras de madeira são autorizadas através da Seprof (Secretaria de Extrativismo e Produção Familiar)."Na sexta-feira à noite, o Estado localizou em Marabá a funcionária terceirizada que o Ibama acusa de ter engavetado a multa contra o Bertin. Por telefone, ela disse estranhar a acusação. "Eu não tô sabendo disso, não. Se comentaram isso com você, foi um comentário maldoso", afirmou, em conversa gravada, Cleonice Pereira.Luciano Evaristo, o diretor que apontou a funcionária como responsável pelo "sumiço" da multa, disse inicialmente que a gerência do Ibama em Marabá havia adotado providências administrativas contra Cleonice. Após consultar o gerente do órgão na cidade, porém, voltou atrás. "A funcionária não foi punida porque a chefia conclui que não foi por má-fé que ela deixou o auto de infração na gaveta".Sobre o fato de se tratar de justamente uma multa contra o frigorífico que comprou os bois piratas, disse "que foi extrema coincidência". Evaristo aponta outras duas multas recentes contra o Bertin como prova de que o frigorífico não é protegido. Os valores dessas multas são bem inferiores à que ficou na gaveta - somam cerca de R$ 430 mil. O Estado tentou localizar o ministro Carlos Minc na sexta-feira e no sábado, mas não obteve retorno.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.