Frigorífico é alvo de nova suspeita

Associação de Alagoas alega que roubo de documentos no Mafrial, citado pela defesa de Renan, foi forjado

Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2004 | 00h00

O assalto ao frigorífico que teria comprado gado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode ter sido forjado por interessados em extraviar documentos comprometedores, que revelariam transações irregulares praticadas pela direção do Matadouro e Frigorífico de Alagoas (Mafrial). O frigorífico fica em Satuba, a 40 quilômetros de Maceió. Renan é suspeito de ter contas pessoais pagas por um lobista. Na tentativa de provar que tinha recursos para quitar seus débitos, ele disse que lucrou R$ 1,9 milhão com venda de bois ao Mafrial. O frigorífico, no entanto, apresentou notas sobre a suposta transação consideradas irregulares pela Polícia Federal. A suspeita de assalto forjado foi levantada ontem pelo secretário-geral da Associação Autônoma dos Fornecedores de Carne de Alagoas, João Baptista, que representa 1.500 pequenos vendedores de carne no Estado. "Esse assalto foi orquestrado", afirmou Baptista, que trabalha há mais de 20 anos no setor. Ele considera " muito estranho" que os assaltantes tenham entrado no Mafrial e a primeira coisa que tenham perguntado aos vigilantes foi onde estavam os documentos do frigorífico. "É no mínimo suspeito esse interesse todo pela documentação do matadouro, exatamente no dia marcado para a entrega dos documentos solicitados pela fiscalização da Secretaria da Fazenda", observou. Para ele, por trás desse assalto estariam pessoas interessadas em encobrir irregularidades e destruir documentos comprometedores. O assalto está sendo investigado pelo delegado de Satuba, Haroldo Gonçales. Ele disse que funcionários do frigorífico contaram que os ladrões perguntaram pelos documentos do senador. Por isso, Gonçales também não descarta a possibilidade de o assalto ter sido forjado.O assalto aconteceu na madrugada de quinta-feira, quando seis homens armados renderam o motorista de um caminhão de bois e entraram no Mafrial. Os assaltantes fizeram os vigilantes reféns e foram direto ao gabinete da diretora-geral do frigorífico, Zoraide Beltrão. A ação durou pouco mais de meia hora. Os assaltantes levaram dinheiro e documentos. Segundo Zoraide, os assaltantes arrombaram os quatro cofres e levaram R$ 17 mil em dinheiro e R$ 200 mil em cheques, além de papéis. As suspeitas de assalto forjado surgiram porque o Mafrial teria de entregar ontem documentos à Secretaria de Estado da Fazenda para serem encaminhados à Polícia Federal e ao Conselho de Ética do Senado, que investigam os negócios de Renan.

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