Frigorífico de AL vira alvo do Ministério Público

Denúncias de irregularidades no Mafrial, citado na defesa de Renan, serão investigadas

Ricardo Rodrigues, MACEIÓ, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

O Ministério Público de Alagoas vai abrir inquérito civil público para investigar denúncias de irregularidades no Matadouro Frigorífico de Alagoas (Mafrial), cujo capital acionário tem participação do governo do Estado. "Vamos abrir um procedimento investigativo para apurar as denúncias de uso do Mafrial para a comercialização de gado, quando a finalidade do frigorífico é o abate, a armazenagem e a distribuição de carnes", afirmou o promotor da Comarca de Satuba, Cyro Blatter.O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), investigado pelo Conselho de Ética pela suspeita de ter contas pessoais pagas pelo lobista de uma construtora, disse que obteve R$ 1,9 milhão com a venda de gado, principalmente ao Mafrial. Dessa forma, segundo ele, levantou os recursos com os quais pagou suas contas.Segundo o promotor, lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST) já tinham denunciado irregularidades no matadouro, que negociaria gado de procedência duvidosa. De acordo com ele, uma declaração de Renan tornou mais grave a situação da empresa. "Se o Mafrial negociava com empresas fantasmas e pagava essa carne comprada com dinheiro e cheques de empresas fantasmas, isso é uma coisa muito grave, criminosa, que tem que ser investigada o mais rapidamente possível", disse o senador, ao justificar as notas supostamente irregulares apresentadas pelo Mafrial para comprovar a compra de seu gado. "Por isso, não temos outra alternativa senão apurar todos esses fatos", explicou o promotor."Não sei como se dava essa negociação, até porque o frigorífico não pode emitir nota fiscal, mas vamos apurar e usar a lei para enquadrar os responsáveis por todas essas irregularidades", acrescentou Blatter. Ele afirmou que vai pedir à Junta Comercial de Alagoas e à Secretaria de Estado da Fazenda toda a documentação sobre a criação e a composição acionária do frigorífico suspeito. A presidente do Mafrial é Zoraide Beltrão de Castro, há mais de 30 anos no controle da empresa. Ela e o marido, o pecuarista José Beltrão, transformaram-se nos maiores acionistas do matadouro, já que o governo detém pouco mais de 30% das ações. Hoje a indústria tem mais de 300 funcionários e abate outros tipos de animais, como porcos e carneiros.ASSALTONa madrugada de ontem, cerca de dez homens armados renderam o motorista de um caminhão de gado e assaltaram o Mafrial. Os bandidos surpreenderam os vigilantes e levaram pouco mais de R$ 4 mil em dinheiro e alguns documentos. Segundo os empregados do frigorífico, os assaltantes conheciam toda a movimentação do local.

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