Frieza marca primeiro evento aberto ao público de Dilma

Em contato com público durante anúncio de reajuste do programa Bolsa Família, em Irecê (BA), presidente só tira aplausos da plateia quando fala de Lula

TIAGO DÉCIMO E TÂNIA MONTEIRO, de O Estado de S. Paulo

01 de março de 2011 | 18h37

IRECÊ (BA) - Em seu primeiro contato direto com os eleitores depois de tomar posse como presidente do Brasil, no início da tarde desta terça-feira, 1º, em Irecê (BA), Dilma Rousseff conseguiu reunir uma plateia suficiente para encher o espaço dedicado ao evento, mas não empolgou o público.

No ato, anunciou o reajuste do programa Bolsa Família e homenageou as mulheres brasileiras, no início do mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher (8 de março). O clima parecia o melhor possível. A plateia, formada por cerca de 2 mil pessoas, na maioria mulheres beneficiárias de programas sociais do governo, aguardava em clima de festa a chegada da presidente ao Gran Fest, principal casa de eventos de Irecê, cidade do semiárido baiano.

Uma pancada de chuva ajudou a amenizar o calor típico da região. De camisa de manga comprida vermelha, Dilma chegou ao local ao meio dia, com uma hora de atraso. Antes de encontrar o público, conheceu dois ônibus do Expresso Cidadã, nos quais mulheres podem requisitar e atualizar documentos como identidade e CPF, além de talões de notas fiscais para trabalhadoras rurais.

Ainda abriu a Mostra de Grupos Produtivos de Mulheres Rurais, evento no qual artesãs expõem e vendem o resultado de suas produções em barraquinhas. A imagem da presença da presidente, exibida por telão para o público, foi suficiente para disparar séries de aplausos entre as pessoas que ocupavam o espaço. Já era possível perceber, porém, que Dilma não estava confortável com a situação. A presidente cumprimentava rapidamente as expositoras e mostrava impaciência com os numerosos pedidos por fotografias e abraços.

Palco. A chegada ao palco, às 12h20, foi comemorada pela plateia. O prefeito Zé das Virgens (PT) chegou a dizer que aquele era o "fato político mais marcante da história" da cidade, em seu longo discurso. A escolha do município para abrigar o evento havia sido feita a dedo. A Bahia é o Estado com mais beneficiários do Bolsa Família, 1,65 milhão. Mensalmente, o Estado recebe injeção de R$ 160 milhões com o programa. Foi na Bahia, também, que Dilma teve a maior vantagem sobre o candidato tucano José Serra, em número de votos, na eleição presidencial: 2,7 milhões a mais.

A perda de empolgação do público causou situações embaraçosas. Em pleno evento dedicado a homenagear as mulheres, o governador Jaques Wagner (PT), ao citar a mulher, Fátima Mendonça, e notar que a plateia não a aplaudiu, pediu: "Bate palma, aí, senão eu não janto hoje".

Quando Dilma iniciou, enfim, seu discurso de 31 minutos, a audiência chegou a esboçar um novo ânimo – que esbarrou em uma interminável lista de agradecimentos a prefeitos da região que estavam no local – 51, ao todo. Durante a leitura, ela mostrou explicitamente o desconforto com a situação, ao notar que havia pronunciado erroneamente o nome de Ibititá (que ela chamou de Ibitita). "Mas para ser Ibititá precisa ter o acento", disse, contrariada, aos assessores.

Nem o anúncio de que o Bolsa Família sofreria reajuste de até 45,5% foi suficiente para inflar a plateia, que já deixava o evento. A empolgação só veio, mesmo, quando, ao fim do discurso, ela disse que almoçou com Lula na sexta-feira passada, em São Paulo. Lula, aliás, foi citado quatro vezes por Dilma. "Ele pediu que eu dissesse a vocês que ele manda um abraço", contou. Foi o suficiente para que o público voltasse a aplaudir. "Preferia que ele (Lula) tivesse vindo, para eu conhecê-lo", disse a agricultora Jovenalda Cruz, de 36 anos, que integrava a plateia, ao fim do evento. "Ele fala melhor, né?", acrescentou.

Mais conteúdo sobre:
DilmaeventoclimaBahia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.