Frente sem-terra invade quatro usinas no Pontal do Paranapanema

Ação coordenada por José Rainha Júnior faz parte dos protestos contra a política agrária do governo no Dia da Independência; ocupação de uma quinta usina foi adiada para esta segunda-feira

José Maria Tomazela , O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2014 | 12h19

Texto atualizado às 17h15

SOROCABA - Quatro usinas de cana-de-açúcar foram ocupadas neste domingo, 7, por militantes da Frente Nacional de Luta Campo de Cidade (FNL), no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. A ação faz parte do Grito dos Excluídos, agenda de protestos dos movimentos sociais contra a política agrária do governo federal no Dia da Independência. As unidades estão em processo de falência, recuperação judicial ou têm dívidas com a União, segundo a Frente.

Em grupos de 60 a 100 integrantes, os sem-terra entraram nas usinas Dracena, no município do mesmo nome; Decasa, em Marabá Paulista; Alvorada, em Santo Anastácio, e Laranja Doce, em Regente Feijó. A ocupação da usina Pau d'Alho, em Ibirarema, também anunciada pelo movimento, foi adiada para a segunda-feira, 8. As ações foram coordenadas pelo líder sem-terra José Rainha Júnior, do MST da Base, dissidência do Movimento dos Sem-Terra (MST) e articulador da Frente, que inclui outros três movimentos sociais.

De acordo com Rainha, as usinas ocupadas foram instaladas ou ampliadas com financiamento público, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas os débitos não foram pagos. “Queremos que a dívida seja executada e destinada à aquisição de terras para a reforma agrária.”

Na invasão da Usina Dracena, cerca de 60 integrantes abordaram os funcionários da portaria e ingressaram nas instalações. Acionada, a Polícia Militar registrou a invasão. O advogado da usina, Rafael Ferreira, informou que vai entrar com ação de reintegração de posse na segunda-feira, 8. O coordenador do grupo, Antonio Carlos Massuia, disse que o movimento é pacífico e vai acatar eventual ordem de desocupação. 

A ocupação da Usina Decasa reuniu 80 integrantes da frente. De acordo com o líder João Batista da Silva, a ação busca agilizar a reforma agrária na região. A unidade está em recuperação judicial desde 2012. O advogado da usina, Milton Armelin, informou que vai pedir a reintegração de posse. As outras unidades foram tomadas sem resistência. Os responsáveis pelas usinas Laranja Doce e Alvorada não foram localizados.  A Polícia Militar registrou as invasões.

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