Frente representa contra deputados ligados a Cachoeira

A Frente Parlamentar de Combate à Corrupção entrará hoje com representação na Corregedoria da Câmara contra os deputados Jovair Arantes (líder do PTB), Carlos Alberto Leréia (PSDB) e Sandes Jr. (PP), todos de Goiás, e Stepan Nercessian (PPS-RJ), que aparecem nos grampos da Polícia Federal em conversas com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

03 de abril de 2012 | 07h03

Um quinto deputado suspeito de ligação com Cachoeira - Rubens Otoni, do PT goiano - já responde a representação no Conselho de Ética.

A mesma frente parlamentar pretende pedir ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que requisite as fitas gravadas pela Polícia Federal, para que o Congresso também tome conhecimento dos diálogos dos deputados com o empresário.

A representação contra Rubens Otoni foi protocolada na semana passada. Baseou-se em fitas com conversas entre o parlamentar e Cachoeira, gravadas em 2004. Nas conversas, Cachoeira diz que dispõe de R$ 100 mil para a campanha de Otoni à Prefeitura de Anápolis. E insinua que contribuiu com ele anteriormente. Pede ainda que não seja declarado que está dando R$ 100 mil para a campanha.

Numa explicação sobre as duas fitas, Otoni disse que Cachoeira queria a ajuda dele para desenrolar a papelada de um laboratório que tem em Anápolis. Como não a deu - afirma o deputado - passou a ser vítima de chantagens. Otoni tem prazo até quinta-feira para dar explicações à corregedoria. Informou que as dará até quarta-feira, no máximo.

Como serão feitas mais quatro representações, a corregedoria deverá examinar documentos de cinco parlamentares. Por enquanto, o corregedor, Eduardo da Fonte (PP-PE), está em viagem para Angola.

Caso conclua pela necessidade de investigar os parlamentares, a corregedoria fará parecer que será encaminhado à Mesa da Câmara. O processo no Conselho de Ética será aberto só se a Mesa entender que os parlamentares devem ser investigados. É possível também que um partido faça a representação diretamente ao colegiado.

O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse que o partido não vai prejulgar Leréia. Mas quer que todas as suspeitas que foram levantadas sobre ele sejam esclarecidas. Guerra levantou ainda a suspeita de que o vazamento dos diálogos esteja sendo feito de forma seletiva, para prejudicar a oposição. Leréia informou na segunda-feira, por intermédio de sua assessoria, que vai se pronunciar a respeito das suspeitas de ligação com Carlinhos Cachoeira depois que tiver acesso às fitas gravadas pela PF. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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