Freire pede apuração urgente de fraude em Cajamar

Mesmo no meio da intensa polêmicadespertada pela publicação antecipada da revista IstoÉ com a reprodução deconversas gravadas entre o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e procuradoresda República buscando incriminar o ex-secretário geral da Presidência Eduardo Jorge,o senador Roberto Freire (PPS) encontrou tempo para pedir providências urgentes aoTribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE) em relação ao processo que denunciafraude na eleição do Município de Cajamar, a 39 quilômetros de Sâo Paulo.Do plenário do Senado, Freire mencionou a reportagem publicada pelo Portal da AgênciaEstado e pelo jornal O Estado de S. Paulo na segunda-feira, revelando adescoberta de pelo menos 14 eleitores que votaram com títulos cancelados em 3 deoutubro de 2000 e a suspeita de que os votos de 17 pessoas mortas também tenhamaparecido nas urnas.O prefeito reeleito Antônio Carlos Oliveira Ribas de Andrade (PTB), o Toninho Ribas,venceu com 13 votos de vantagem o segundo colocado, Messias Cândido da Silva (PPS). Ribas teve 11.583 votos e Silva, 11.570."É preciso concluir o processo com urgência não porque o candidato derrotado é domeu partido, mas porque a situação como está, atenta contra a democracia", disseFreire.Para firmar sua posição, o senador oficiará o TRE pedindo mais informações esolicitando providências urgentes para eliminar todas as dúvidas e, documentadasas fraudes, sejam apuradas as responsabilidades e realizadas novas eleições.A fraude na eleição de Cajamar foi descoberta por Silva e denunciada à JustiçaEleitoral. O Ministério Público do Município também foi acionado, e o juiz RodrigoGorga Campos aceitou a denúncia. O processo com pedido de cancelamento das eleiçõescorre sob o número 17.265, no Tribunal Regional Eleitoral, em São Paulo.A coligação política de Silva recorreu ao juiz eleitoral três dias depoisdas eleições, mas só conseguiu juntar provas materiais ao processo em dezembro de2000. "Nós nos limitamos a provar fraude em apenas 14 casos, porque esse número jáseria suficiente para mudar o resultado das eleições", diz Silva.Na semana passada, a coligação partidária teve acesso às listas oficiais de eleitorese descobriu 50 novas suspeitas de fraude.Entre elas, os nomes de 17 pessoas mortasque também teriam votado. Advogados e assessores da coligação estão procurando, noscartórios da cidade, atestados de óbito e registros de nascimento dos supostos falsoseleitores para descartar qualquer possibilidade de que se tratem de homônimos.

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