Roberto Freire defende 'intervenção das forças democráticas' e fala em 'pós-Dilma'

Deputado diz que Congresso tem que estar preparado para analisar processo de impeachment caso TCU rejeite contas do governo

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

05 de julho de 2015 | 12h39

Ao participar da convenção nacional do PSDB, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), defendeu neste domingo uma "intervenção das forças democráticas" para tirar a presidente Dilma Rousseff do poder. 

"Já não se fala mais em governo, se fala de pós-Dilma", afirmou.

Segundo Freire, a melhor alternativa seria a convocação de novas eleições após a cassação do mandato da presidente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ele afirmou que o Congresso tem que estar preparado para analisar um processo de impeachment caso o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeite as contas do governo.

Apesar de ter apoiado o PSB na campanha presidencial do ano passado, Freire afirmou que o " PSDB, como maior partido de oposição, tem que estar preparado para qualquer das alternativas".

Lideranças e outros partidos aliados do PSDB também fizeram discurso neste domingo. A presidente do PTB, deputada Cristiane Brasil (RJ), fez duras críticas ao PT. Ela acusou o partido de "privatizar o dinheiro público" e disse que a única coisa boa de Aécio não ter ganhado a eleição era ver o "PT na lama".

Cristiane é filha do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, que atualmente cumpre prisão domiciliar por conta do julgamento do caso.

Apoio. Em discurso no evento, o deputado Izalci Ferreira (PSDB-DF) disse ter certeza que a presidente vai ser afastada do cargo, seja através de um impeachment ou pela cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Eu sei que logo, logo nós estaremos governando este País, porque eu tenho certeza absoluta que o TSE, e depois a Câmara e o Congresso Nacional, vão fazer o impeachment e o afastamento deste governo", afirmou.

A presidente também foi criticada por outros deputados que fizeram discursos. Marcus Pestana (MG) lembrou da baixa popularidade de Dilma revelada pelas últimas pesquisas. Já Bruno Araújo (PE) afirmou que o PT ganhou as eleições "na base da mentira" e acusou o partido de "passar a mão no dinheiro das estatais".

Fora do palco principal, dirigentes da sigla também defendiam que construir alternativas à saída de Dilma da presidência não pode ser visto como "golpe". "O acirramento da crise econômica e o aprofundamento da crise política obrigam partidos com alguma perspectiva de poder a traçar cenários, mas isso não significa que seja golpe", disse Silvio Torres, que vai assumir a secretaria-geral do partido.

Como mostrou o Estado, na última semana interlocutores do PMDB procuraram a cúpula do PSDB para conversar sobre um eventual afastamento da presidente do cargo.

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